André Urani*
O microcrédito produtivo e orientado é um dos mais importantes instrumentos de apoio à microempresa.
O Rio de Janeiro tem uma experiência peculiar nesta área, que começou, como já disse aqui, a partir de uma iniciativa da sociedade civil, o Vivacred, que está fazendo dez anos agora em 2007.
Logo depois, quem se mexeu foi a Prefeitura; à diferença, porém, do que acontecia, na época, em outros lugares do Brasil, a Prefeitura do Rio de Janeiro não quis abrir um Banco do Povo; ou seja: não quis chamar para si a responsabilidade de emprestar diretamente para microempresários de baixa renda. Até por considerar que este movimento iria na contramão da maior disciplina fiscal que o governo federal estava tentando impor, na época, para consolidar a estabilização macroeconômica. A estratégia da Prefeitura foi então a de operar indiretamente, criando incentivos, de diferentes naturezas, para que as iniciativas nesta área fossem se multiplicando. E esta estratégia deu certo: nenhuma outra cidade brasileira teve uma experiência tão ampla e diversificada nesta área. Nasceram, dali, a Riocred, uma parceria entre a própria Prefeitura e uma financeira privada, que hoje se chama Microinvest e é a maior entidade privada brasileira nesta área, operando em todo o território nacional; o Sindicred, uma organização da sociedade civil de interesse público especializada neste mercado, nascida por iniciativa de oito sindicatos de trabalhadores; a Socialcred, uma sociedade de crédito ao microempreendedor, com fins lucrativos – e tantas outras.
Em 2001, com a mudança de governo, esta estratégia foi descontinuada. Mas as instituições que foram criadas, na época, continuaram operando – contra ventos e marés. E se juntaram, criando o Fórum de Microfinanças, uma associação civil sem fins lucrativos que tem como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento do setor microfinanceiro, através da troca de experiências e informação, de discussões metodologias e técnicas e da construção de parcerias entre seus associados.
Hoje, vários outros estados brasileiros estão replicando este esforço, como a Bahia, o Ceará, o Rio Grande do Sul, Pernambuco e o Distrito Federal.
Os interessados em se assuntar mais sobre este tipo de atividades podem entrar no site www.forumdemicrofinancas.org.br . Vão encontrar lá uma grande quantidade de informações úteis sobre este setor, no Rio, no Brasil e no mundo.
André Urani: Economista, Doutor em Economia pelo DELTA (Paris – França), Diretor do IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) e comentarista da rádio CBN. E-mail: aurani@iets.org.br