Jesus Cristo

Jesus e as irmãs de Lázaro de Betânia

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

Contam os Evangelhos que Jesus era amigo de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria.  Os três viviam em Betânia, cidade próxima a Jerusalém e era costume receber o Mestre em sua casa.  Talvez o episódio mais marcante dessa amizade seja a ressurreição de Lázaro, de onde se extrai um dos momentos mais contundentes da vida de Jesus de Nazaré: lá, sabedor da morte do amigo, Jesus se comove e chora, demonstrando a afeição e a dor que sentia.  Inteiramente homem, sofre pela perda; inteiramente Deus, ressuscita o amigo para manifestar, assim, a glória do Pai.

A ressurreição de Lázaro acaba por antecipar os episódios que se sucederão em Jerusalém, onde Jesus sofrerá sua Paixão, será morto e ressuscitará.  Porém, destaca-se aqui o diálogo entre o Mestre e as irmãs de Lázaro, que demonstra o lugar que o Senhor dava às mulheres, contrariando a opressão que os judeus ofereciam àquelas consideradas à parte dentro de uma sociedade fortemente machista.

Jesus ainda está fora de Betânia quando recebe a notícia de que Lázaro está muito doente.  Ainda assim, retarda sua chegada à cidade, onde só chega quatro dias depois da morte de Lázaro.  Ao saber que o Mestre se aproximava, Marta vai ao seu encontro e o interpela: por que fizera aquilo? Por que não aparecera para salvar seu amigo?  Marta, a mesma que antes já havia interpelado Jesus, questionando-o quando Ele não ordenara à sua irmã Maria que a ajudasse no serviço da casa, mas a mantinha próximo a si, escutando-O. Em nenhuma das duas ocasiões, Jesus demonstra descontentamento com a "audácia" de Marta.  Ao contrário, consola a mulher, solidariza-se com ela e deixa que a sua dor pela perda do irmão toque Seu coração.

Maria ficara em casa com os amigos que a consolavam.  Ao saber que Jesus chegara, sai ao seu encontro.  Nada fala, apenas chora.  O choro sensível daquela que sempre se colocava a ouvir o Senhor soma-se à interpelação clara daquela que se acostumara a questioná-Lo e a mostrar o lado prático das coisas.  E, Jesus, comovido e sensibilizado, ressuscita o amigo. 

Ao ouvir e atender os clamores de dor das irmãs de Lázaro, Jesus dá, definitivamente, um lugar especial às mulheres de seu tempo: são elas também capazes de tocar o coração de Deus.  São elas as que detém a sensibilidade do sentir e, ao mesmo tempo, a praticidade das coisas.  Para Marta e Maria, perder Lázaro era apenas dor e saudade.  Para Jesus, naquelas mulheres havia uma oportunidade de demonstração da glória do Pai que inclui a todos em seu Reino e a todos quer dar a vida plena.

Nesta ocasião em que se finda a Quaresma e que, coincidentemente, celebra-se o Dia Internacional da Mulher, que Marta e Maria possam ser as vozes da mulher de hoje: sensível e ativa, dona de um entendimento peculiar e, ao mesmo tempo, capaz de realizações que engrandecem o ser mulher. Que a mulher atual saiba que o Senhor está sempre disposto a ouvi-la e para ela preparou um lugar especial no mundo.

Texto para oração: Jo 11, 1-45


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