No Chile, 76% dos jovens com idade entre 10 e 18 anos têm acesso a Internet em sua casa e 41% possui um computador em seu dormitório. O antecedente se encontra num estudo efetuado com 1.632 menores de idade, de 6 anos ou mais, que estudam em 66 estabelecimentos educacionais de diversas regiões e que foi feito de forma paralela às pesquisas similares em oito países mais, implementadas pela Organização Universitária Interamericana, Universidade de Navarra e Fundação Telefônica, entre outras entidades. Dessa pesquisa surgiu o livro La generación interactiva en Iberoamérica 2010. Niños y adolescentes ante las pantallas. Editado pela Fundação acima mencionada, o livro expõe os resultados desta análise feita à conduta de um total de 24.320 meninos e jovens latino-americanos, e foi apresentado em Santiago pela diretora de pesquisa do Fórum Gerações Interativa, Charo Sábada, acadêmica e pesquisadora da Faculdade de Comunicações da mencionada universidade espanhola. No documento indicam que 55% das crianças chilenas entre 6 e 9 anos reconhece que navegam sozinhas pela Internet. Enquanto nessa faixa de idade acessam principalmente as páginas web (56% homens, 46% mulheres), os que têm entre 10 e 18 anos preferem usar as redes sociais (85% homens, 88% mulheres). Sete de cada dez preferem ficar conectados à rede em vez de fazer outras atividades. As opções que mais perderam são: a televisão (26% das preferências), o estudo (25%) e a leitura (22%). O Chile resultou ser o país onde uma maior proporção de jovens assinalou que deixou de dedicar tempo aos estudos a fim de navegar pela Internet. E também é o apresentou a mais alta proporção de usuários de redes sociais (87%, entre 10 e 18 anos), sendo que o Facebook atinge 98% dos que estão nelas. Por outro lado, 56% daqueles que têm entre 6 e 9 anos possuem um telefone celular próprio, porcentagem que sobe a 78% entre os da faixa de 10 e 18 anos. No entanto, 50% das crianças entre 6 e 9 anos assiste à TV sozinhas. Na faixa de 10 a 18 anos são 68%. Os pais parecem ser os menos restritivos entre todos os países em estudo já que só 40% dos jovens declaram ter alguma restrição (1). Ao comentar este trabalho, Charo Sábada assinalou que “os dados confirmam que dia a dia as gerações interativas estão mais equipadas, com maior e melhor acesso à Internet, e com melhor conhecimento das tecnologias, tendo aprendido que esta é uma plataforma para aprender e compartilhar interesses”. EDUCAR MAIS QUE CONTROLAR Que avaliação o senhor faz dos resultados do estudo efetuado aos jovens chilenos? Eles vivem num contexto tecnológico sofisticado, com um uso muito diverso de Internet; não só acessam as redes sociais. Estão mais adiantados nesse sentido que os jovens de outras nações latino-americanas porque a tecnologia se difundiu muito rapidamente neste país, devido a certas condições de desenvolvimento econômico. Em conseqüência, os pais e professores tentam cumprir a tarefa de educá-los no uso responsável da tecnologia. Não é irreal pretender que talvez possa existir algum tipo de “controle” para o relacionamento dos menores com Internet? É sim. Se observarmos a alta porcentagem de crianças que tem celular e conexão Wi-Fiem qualquer lugar, entenderemos que tem pouco sentido tentar exercer um controle. Por isso, tenho certeza de que o papel da educação é realmente muito importante. É importante que os pais aconselhem seus filhos quanto a um bom uso cívico da tecnologia, em relação aos demais, que não aceitem ofertas de pessoas desconhecidas, que aprendam a diferenciar o real do virtual, ou a distinguir que lugares de Internet são úteis ou benéficos, e aqueles que não são. Se procuramos formar nossos filhos em sua personalidade, caráter ou ética em diversas facetas da vida, então essa formação deve ter uma correspondência no tema do acesso a estas tecnologias. Mas entendamos que isto se estende a muitas áreas da vida atual, já que as crianças de hoje não só têm maior interação com a rede, mas também têm melhor acesso a tudo. Quais são as conclusões obtidas neste estudo sobre o abandono do hábito de ler? Não devemos ser pessimistas neste sentido. Nós ainda não sabemos se eles serão cidadãos menos conceituais e mais visuais em sua vinculação com o conhecimento, mas creio que no momento, podemos dizer que esta geração interativa lê mais que a geração anterior, porque o consumo da informação presente na rede requer leitura. Um tema interessante é se esta nova geração procura ou não leituras de certa profundidade, isso deverá ser examinado. Mas a ação de estudar representa não só a capacidade de ler, mas também a de saber procurar informação, discriminar adequadamente os antecedentes que nos entregam e ter ferramentas para sintetizar o que for relevante. Isto nos obriga a ter que formar nossos jovens para que não se conformem só com o que o Google e a Wikipédia nos entregam, e também que aprendam a contrastar e a serem críticos. Quais são as recomendações para enfrentar estes desafios? O bom uso da sociedade em rede não se refere apenas em saber procurar ou salvar conteúdos, senão em saber quem sabe. Isto é, reconhecer fontes de informação que sejam adequadas, estar capacitado para empregar as boas enciclopédias ou espaços de consulta que estão disponíveis, ter conhecimento a respeito de quem está proporcionando informação atualizada. NOVAS TECNOLOGIAS E INFORMAÇÃO As conclusões deste estudo permitem algum comentário em relação ao emprego destas tecnologias na sala de classes? É óbvio que é útil e benéfico que os alunos tenham acesso à Internet em seus colégios, contando com as possibilidades de aprender e informar-se que esta oferece. Mas tenhamos presente, por exemplo, a experiência dos países nórdicos, que é onde a Internet mais penetrou. Na Finlândia, por exemplo, que tem excelentes rendimentos nos exames internacionais de avaliação dos resultados educativos, os professores se relacionam com seus alunos do modo tradicional, em uma sala de aula, sem computadores. Os docentes têm um papel de destaque quanto a fixar os objetivos da aprendizagem e procedimentos para utilizar o conhecimento. Depois os estudantes têm acesso à Internet, num lugar diferente, podendo trabalhar segundo as metas assinaladas pelo professor. A proposta espanhola é que os centros educativos devem proporcionar um notebook a cada aluno e se assumiu a idéia de que isto exige uma capacitação intensiva por parte do professorado, para que esse recurso seja usado da melhor maneira possível. Ficamos com o desafio de capacitar os docentes, já que é uma das grandes tarefas a assumir na incorporação das novas tecnologias na sala de aula.
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Autor: Juan Rauld Fonte: Mirada Global |
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