Inter-religiões




Shavuot
Uma das festas mais queridas no meio judaico, esta festa remonta aos fundamentos do judaísmo e é vista como a constante renovação e continuidade da nossa relação com Deus.

Shavuot festeja nada menos do que a entrega dos Dez Mandamentos, no Monte Sinai, cinqüenta dias após a libertação da escravidão do Egito, que deve ter acontecido em torno de 1.200 antes da era comum (antes de Cristo).  Deus havia concedido aos hebreus esta libertação e agora estes se viam diante Dele incumbidos de demonstrar o seu amor a Ele através da obediência das Suas diretrizes e ditames.  Enquanto a apresentação dos Dez Mandamentos se tornava a base das leis de Deus, estes se fizeram seguir de minuciosas instruções que recebemos durante o trajeto de 40 anos pelo deserto até chegarmos à terra dos nossos antepassados, Canaan.    A nossa relação com o divino se realiza através do cumprimento dessas leis.

            Dizem os sábios que essas leis foram recebidas no deserto para evidenciar que elas não seriam exclusivas para algum grupo, mas sim, deveriam ser conhecidas e obedecidas por todos os seres humanos.  Os judeus compreendem que o comportamento entre os seres humanos, de cada pessoa para com o seu próximo, assim como perante os animais, tudo que é vivo e o mundo em geral se traduz na nossa relação com o Senhor do Universo que nos criou e nos concedeu o privilégio da vida. 

É nesse sentido que os profetas reclamam como inválidos os rituais vazios que não se acompanham por um comportamento condizente. 

Devemos saber contemplar com profundo agradecimento aquilo que nos é concedido.  Assim teremos a sabedoria de conhecer os limites, não apenas individua is, porém também coletivos  do homem diante do que o mundo e a vida lhe oferecem.  É uma oportunidade constante para fazermos um exercício de refinamento em nossa maneira de ser, pensar e agir.
           
Os nossos sábios foram elaborando leis através dos tempos e de acordo com as necessidades de cada época, sempre dentro do espírito do que recebemos no Sinai.

Dentro desse profundo agradecimento a Deus, Shavuot, junto com outras duas festas, Pessach e Sucot, tem a sua faceta agrícola, onde se agradecia pelas colheitas principais, levando ao Templo em Jerusalém uma certa medida daquilo que a terra havia produzido para nós naquela ocasião anual.  Parte desta oferenda servia para o ritual de agradecimento e a parte maior era distribuída para alimento dos sacerdotes e dos necessitados.  Apenas após estes atos podia-se voltar à casa e aproveitar pessoalmente da nova colheita.

Shavuot é uma festa muito querida e alegre e, além do serviço religioso e de um lanche, é festejada com uma prolongada noite de estudo das nossas fontes.
                                                              
Autores: Jeanette Erlich e Diane Kuperman
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