Amai-vos News

Brasil é criticado por acelerar acordo

 A pressão do Brasil para fechar o documento da Rio+20 antes da reunião de chefes de Estado, que começa amanhã, foi criticada ontem por alguns países e por organizações não governamentais, que consideraram o texto fraco demais e pediram mais tempo para negociar um resultado mais ambicioso. A União Europeia (UE) seria a mais incomodada com o documento brasileiro, segundo informações dos bastidores diplomáticos na conferência. A proposta alternativa seria manter o texto em aberto para ser debatido na cúpula de alto nível, com o envolvimento de ministros e chefes Estado.

"Estamos bastante frustrados com a falta de ambição e de progresso no documento. Mas não desistimos, vamos continuar forçando para ter algo mais concreto", disse ao Estado uma representante da delegação europeia. "Ouvimos outros grupos, incluindo a sociedade civil, e a impressão que temos é que há um grande distanciamento entre o que o mundo quer e o que o documento está mostrando."

Os europeus se ressentem principalmente da falta de objetivos e metas que eles pedem desde o começo das negociações em áreas como energia, água, eficiência no uso dos recursos. Os temas, dizem os delegados, até aparecem no texto, mas não há objetivos concretos sobre eles.

"Fala-se em energia sustentável para todos, mas como, quando?", questionou a representante europeia. Mesmo que não seja possível colocar agora números sobre metas específicas, segundo ela, o documento deveria trazer, ao menos, um direcionamento mais específico sobre elas.

No caso dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, o texto lança um processo de negociação sobre eles, mas não faz referência a nenhum tema específico que deverá ser tratado.

O Brasil, porém, não arrefeceu. "Estamos absolutamente certos de que o documento será fechado hoje (ontem) à noite", disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira, em entrevista no fim da tarde. À meia-noite começou uma plenária para discutir o texto e, até o fechamento desta edição, o debate não havia terminado.

Com relação ao desejo dos europeus de estender a discussão, comentou: "O que disse para nossos colegas é que, se compararmos a um jogo de futebol, o tempo regulamentar (das negociações) terminou com o fim do comitê preparatório (reuniões que ocorreram entre os dias 13 e 16). Agora estamos na prorrogação e ela nunca tem um tempo mais longo que o jogo propriamente dito. Há um limite de tempo, temos de fechar o texto antes da chegada dos chefes de Estado."

Ambição

Ambientalistas também criticaram a postura brasileira. "Os ministros não vêm aqui para beber caipirinha e sentar na praia; eles vêm aqui para solucionar problemas e elevar o nível de ambição da conferência", disse a coordenadora de Políticas Climáticas do Greenpeace, Tove Maria Ryding. "Esse texto é pior do que poderíamos imaginar. Essa é a hora de o Brasil mostrar liderança, reintroduzir ambição no texto e dar aos ministros uma chance de discuti-lo."

Cerca de cem chefes de Estado são esperados para a cúpula de alto nível, que começa amanhã e termina na sexta-feira, encerrando a Rio+20. Rubens Born, da ONG Vitae Civilis, também criticou o que chamou de "tentativa desesperada" dos diplomatas brasileiros de finalizar o documento antes disso.

O texto em questão foi apresentado pela diplomacia brasileira no sábado, como uma tentativa de conciliar posições e acelerar as negociações, que vinham em ritmo lento até então. Ao buscar esse consenso, porém, acabou retirando ou reduzindo a ambição de vários pontos de conflito que eram considerados essenciais para um resultado forte da conferência, especialmente em questões relacionadas ao comprometimento econômico e político dos países ricos com o desenvolvimento sustentável do planeta. "O que vai pegar é quem vai pagar a conta", resumiu ao Estado um diplomata brasileiro. O texto fala sobre uma série de compromissos, mas não estipula nenhuma obrigação ou prazo específico para resolvê-los.

O embaixador André Corrêa do Lago, disse à tarde que, se o documento fosse aprovado na íntegra, seria um resultado "forte" para a Rio+20. "Vários países manifestaram o desejo de aprovar o documento na íntegra."

Em coletiva à imprensa, representantes da ONU afirmaram que, também para a organização, a aprovação do texto brasileiro seria um resultado forte. "O documento representa um passo de mudança para o desenvolvimento sustentável", disse Nikhil Seth, chefe do escritório do secretariado da Rio+20. Ele disse que, de certo modo, todos estavam infelizes, mas só assim seria possível fechar um "bom acordo".

As decisões da ONU têm de ser tomadas por consenso, com a anuência dos 193 países-membros envolvidos na negociação. "Na tradição da ONU, dizemos que um consenso em que todo mundo está igualmente infeliz é um bom consenso. É o denominador comum. No início, grupos tinham mais ambições, posições mais extremas, mas depois todo mundo tem de ceder", disse Nikhil Chandavarkar, chefe de comunicação da conferência.

Autor: Herton Escobar e Giovana Girardi
Compartilhe
Envie por email
Imprimir
voltar topo da pagina
Contém Amor

Agenda

Guia do Empreendedor...

Audioteca Sal e Luz...

Enquetes

Você é a favor da redução da maioridade penal?

 Sim.

 Não.

 Não tenho opinião formada.

 Sou indiferente.

Ver resultado

Outras enquetes

Amaivos 2012 - Todos os direitos reservados.