Santana foi homenageada desde os primeiros tempos do cristianismo. Igrejas foram dedicadas em sua honra, e os Padres, especialmente das Igrejas Orientais, exaltavam a sua santidade de vida. Ela é padroeira secundária de nossa arquidiocese. Por sua vez, também São Joaquim tem devoção comprovada desde o Século VI, e é venerado em diversos países. É o padroeiro da residência dos arcebispos do Rio de Janeiro. O Palácio São Joaquim completa este ano o seu centenário de inauguração. Na iconografia cristã, o casal é frequentemente retratado com Maria e segurando um livro das Escrituras, ensinando sua filha a ler. Há centenas de imagens da Virgem com sua mãe, entre elas uma pintura de Rafael retratando Santana sob uma palmeira, empenhada em ensinar a ler a jovem Maria enquanto um anjo a coroa, e ao fundo São Joaquim assiste à cena. Nesse dia, dia dos avós de Nosso Senhor, a Igreja recorda a importante, e até mesmo fundamental missão, que os avós exercem no seio das famílias. O Santo Padre, Bento XVI, em sua mensagem do ângelus do ano passado, já recordava que “nas famílias os avós são muitas vezes testemunhas dos valores fundamentais da vida”. Dizia o Santo Padre naquela ocasião: “o papel educativo dos avós é sempre muito importante e torna-se ainda mais quanto, por várias razões, os pais são incapazes de dedicar um tempo adequado para seus filhos. Confio à proteção de Santana e São Joaquim todos os avós do mundo”. Hoje enraizar crenças e valores, principalmente entre os mais jovens, não é tão fácil como era a 50 ou 60 anos atrás. Com a mudança dos tempos e mudança das mentalidades, mesmo as crianças têm começado a questionar a autenticidade de tudo, inclusive as verdade de fé. Daí vem a importância do testemunho de vida dos mais velhos que passam a fé aos mais jovens. A cultura contemporânea corroeu o sentimento de pertença e de identidade das pessoas e dos grupos sociais, dentre eles a família. A magnitude da ciência e da tecnologia leva-nos a tudo questionar. Cria-se um ambiente de instabilidade, em que, por vezes, a verdade e o absoluto passam a ser ameaças ao nosso suposto direito ao livre pensamento e ao império da liberdade absoluta. Neste contexto, surgem os avós como uma força, um tesouro, e dentro deste quadro também de insegurança, de uma importância vital para a felicidade e para o bem estar da família. Muitas vezes, as antigas tradições e memórias da família podem ser compartilhadas e transferidas para as novas gerações, certamente pela presença acolhedora dos avós. Um relacionamento amoroso entre avós e crianças ajuda a cultivar a confiança e uma autoimagem positiva para a geração mais jovem. Como não lembrar a figura da avó ou do avô que ensina o neto ou a neta as orações e os princípios basilares da vida de fé, ou mesmo recordando passagens significativas da vida de Jesus. Os avós trazem o sentido da continuidade e da estabilidade numa sociedade onde os jovens convivem cotidianamente com o descartável e com a falta de compromisso e de palavra. Pesquisa recente na França revela que dos cerca de sete milhões de avós, dois terços deles gastam mais da metade de seu tempo livre com os netos. Muitas crianças passam mais tempo com os avós do que com os próprios pais, que levam uma vida agitada e trabalham fora maior parte do dia. Ora, isso revela, como amostragem, como hoje a presença viva dos avós na educação dos netos tem bastante vulto e ganha especial significado sociológico. No Brasil onde o envelhecimento da população caminha a passos largos o quadro não será diferente. Uma segunda reflexão que fazemos neste dia dos avós é a questão do respeito aos idosos, e principalmente a sua acolhida no ambiente familiar. Os filhos devem propor às gerações mais novas uma atitude de sincero respeito pelos mais velhos. Assim, constrói-se um ambiente propicio à acolhida, ao carinho e desperta nos jovens sentimentos de bondade e de atenção em relação aos idosos. O Papa João Paulo II dirigindo-se aos idosos em audiência pública de 23 de março de 1984, disse: “Não seja pego pela atração da solidão interior. Apesar da complexidade de seus problemas, as forças gradualmente a enfraquecer e apesar das insuficiências das organizações sociais, os atrasos da legislação oficial, incompreensões de uma sociedade egoísta, você não está e você não deve se sentir à margem da vida da Igreja, como elemento passivo em um mundo em movimento excessivo, mas sujeitos ativos de uma espiritualidade fecunda dentro da existência humana. Você ainda tem uma missão a cumprir e uma contribuição a dar”.
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