Luis Carlos Mancini* A longevidade, como é meu caso, tem vantagens e desvantagens. A vantagem é de ter assistido a boa parte da caminhada da humanidade e a tantas extraordinárias transformações ocorridas ao longo do período. As desvantagens são diversas, a maior das quais é a rapidez com que os horizontes se encurtam e se frustram as expectativas de um mundo melhor. Pelo jeito ele só ocorrerá com a vinda do Reino de Deus. O velho é temido pela incontinência verbal e incapacidade de guardar coisas que, preferivelmente, não deveriam ser propagadas. Em alguns casos, haveria que absolvê-lo por não resistir às pressões da consciência. É angustiante para ele sobretudo, não poder legar aos filhos, netos e bisnetos um mundo seguro e confiável onde a vida possa se expandir plenamente, sem interrupção violenta. O Clube de Roma, em meados do século passado assustou-nos com prognósticos de próximo esgotamento de recursos naturais, abrindo abismos e aumentando carências. Os homens têm sabido adiar essas ameaças mas é inquietante verificar a sua sanha e crescente capacidade de devastar a natureza. Muitos rios já desapareceram no século XX, sem falar na destruição das florestas que poderiam protegê-los. Talvez o fato mais contristador seja o de não termos aprendido a evitar a guerra na solução dos conflitos nacionais e internacionais, banalizando a morte. Ao fim de cada guerra, jura-se que não haverá outra, tal a brutalidade e insanidade de cada conflito. São choques de civilizações ou de culturas ou, simplesmente abusos de poder, delírio de grandeza, incontrolável tendência de eliminar o mais fraco, sob os mais cínicos pretextos. Michelet, a propósito do levante dos trabalhadores e estudantes na França de 1830, prognosticou: “nasceu com o mundo uma guerra que só há de terminar com a guerra do homem contra a natureza, do espírito contra a matéria, da liberdade contra a fatalidade” e conclui “a história não é mais do que o registro desse conflito interminável”. ----------------------------------- * Conselheiro da Associação Mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O século XX, tão devastado por guerras e conflitos de toda ordem e sempre crudelíssimos, sacrificando milhões de vidas humanas, nada aprendeu com essa matança hoje apoiada nos mais sofisticados instrumentos de dizimar cidades e populações. Pode-se dizer que se conseguiu tornar o genocídio um fato corriqueiro ao custo de bilhões de dólares esbanjados, e vidas humanas, irrecuperáveis, quando, por muito menos, ter-se-ia socorrido milhões de pessoas. É inacreditável que os Estados Unidos, modelo do Novo Mundo, promotor do sistema democrático de Governo, autor do Plano Marshal de recuperação da Europa e do Japão, não tenha resistido às tentações de usar seu poder hegemônico (isolado e fortalecido com a falência do modelo comunista) metendo-se em aventuras bélicas despropositadas à revelia das Nações Unidas, comprometendo o sistema universal de segurança. A crise insolúvel do Oriente Médio deve-se, fundamentalmente à forma desastrada como se implantou o Estado de Israel. Era legítimo o direito dos judeus de buscar a terra de suas tradições para se abrigarem, após os padecimentos do holocausto e da discriminação. O que nos parece lamentável foi o modo como isso se deu. Em lugar de se promover, desde logo, um sistema de transição territorial em harmonia com os palestinos, e, em seguida criar um programa rigoroso de ajuda ao seu desenvolvimento, baniram os palestinos de suas terras e com o tempo instituíram um tipo de colonialismo perverso capaz de mantê-los sob permanente dependência, contando sempre com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos. Como é impossível conservar uma ilha de prosperidade, cercada de pobreza por todos os lados, torna-se difícil conter, sem conflito armado, o ódio crescente em torno da ilha. Ainda agora, anos após a queda do grotesco e maldito muro de Berlim, Israel, sem qualquer respeito à nação palestina e a ONU, construiu um monstruoso paredão de quase 700 Km, dividindo terras que, em parte, não são suas, sob pretexto de proteger-se de eventuais terroristas. Só não se sabe como proteger os palestinos da presença permanente e destrutiva dos tanques israelenses em seu território. A desaprovação da ONU a tais atos agressivos foi ignorada por Israel. O muro inaugura uma forma engenhosa de aprisionar uma nação. Estados Unidos e Israel estão unidos na paranóia do terror, rico em dividendos eleitorais. Por ora, para facilitar, considera-se terrorista todo palestino ou quem se pareça com ele. Esta relação neurótica dos estados Unidos com o atual governo de Israel agravou-se com a inexplicável invasão do Iraque, unindo árabes e mulçumanos na chacina de uma guerra irracional e sem fim. Como vingança, incapacitados de confrontar-se com o poderio militar americano, habitantes de toda região uniram-se numa reação fantasmagórica e sorrateira cujo único objetivo é matar indiscriminadamente quem se pareça invasor, implantado o ódio e o medo, gerando crise política na Europa. Para sermos honestos, reconheçamos que o Brasil concorre bravamente nesta olimpíada da violência. Combater a violência com a violência não leva a nada, o que se descobre, quando não há como voltar atrás. Diante dessa marcha da insanidade cabe-nos orar humildemente a Deus (já cansado com a bestialogia humana) rogando-lhe sua ajuda para vivermos como irmãos. Urge resgatar a sanidade humana, começando pelo empenho maior em corrigir desigualdades e injustiças, redescobrir e valorizar o sentido da vida, do nascer até o princípio da outra, com a morte. Amar os outros como a si mesmo, é um mandamento particularmente difícil de ser cumprido e por isso mesmo, fundamental de ser obedecido. A dignidade humana é intrínseca a todos. Aceitar o outro, com todos os contrastes raciais, culturais e religiosos de que são revestidos, deve ser buascando como razão e condição de vida. (É inacreditável que a França, símbolo da liberdade e da cristandade tenha proibido o uso de símbolos religiosos nas suas escolas, aumentando desnecessariamente a reação contra imigrantes islâmicos). Neste mundo tresloucado impõe-se, a nós todos, o exercício de um catolicismo mais fiel à mensagem cristã superando a prática simplesmente formal e epidérmica para “mergulhar em águas mais profundas” como Jesus pediu a Pedro e o Papa repete hoje. É louvável o esforço do movimento pentecostal e carismático no sentido de animar os fiéis na prática litúrgica. O risco é de tender mais para a teatralidade em prejuízo da conscientização e comprometimento. Devemos ser gratos ao Espírito Santo pelo privilégio de termos contado, num século que terminou com a má fama de ser o mais violento da história, com Papas de extraordinária lucidez, capazes de, em cada época, responder às aflições e interpelações dos cristãos. A Igreja, apesar de tantos equívocos cometidos ao longo de sua história de santos e pecadores, soube no século XX, sobrepujar as seduções do mundo e cumprir plenamente seu compromisso com Jesus Cristo. Alguns estudiosos predizem um novo milênio de maior religiosidade o que se observa, pelo menos no Brasil, com a multiplicação de seitas protestantes e budistas. O fato é auspicioso porque abre novos caminhos para manifestações da fé. Multiplicam-se as chamadas seitas evangélicas que facilmente atraem crentes pelo contato pessoal de seus pastores, facilitado por suas pequenas capelas e promessas de cura. Algumas se comercializam pelo abuso na cobrança do dízimo, convertendo-se em prósperas empresas onde os púlpitos se transformam em palanques políticos de seus pastores. A Igreja Católica, que ainda conta com maior respeitabilidade popular, dispõe de templos onde a comunhão de fiéis é mais difícil e a estrutura hierárquica e burocrática mais pesada. Em sua Carta apostólica sobre o novo milênio, o Papa reconhece o problema ao afirmar estarmos “entrando num milênio caracterizado, ao menos nos países de antiga cristianização, por um amalgama profundo de culturas e religiões. Em muitas regiões os cristãos são ou vão se tornando um pequeno rebanho”. Há que reconhecer ainda, as dificuldades existentes para uma efetiva participação dos leigos na vida da Igreja apesar de repetidas afirmações sobre sua importância. Não é fácil para os que detêm o poder eclesial aceitar co-participação do leigo nas decisões finais. Seria lamentável imaginar que ainda pudessem ecoar na Igreja de hoje, as manifestações de suspeita que os leigos mereceram, séculos atrás, de autoridades religiosas. A presença maciça da mulher nos cultos religiosos faz crescer a indagação sobre possível injustiça com que são tratadas negando-lhes a graça do sacerdócio. Se é possível; destacar um acontecimento relevante nas últimas décadas do século passado, foi a ascensão vertiginosa da mulher. Sua presença já é majoritária nas universidades quer quantitativa quer qualitativamente. Como profissionais estão presentes nas fábricas, nos mais diversos serviços, até as alturas da gerencia e direção de empresas, da administração pública, nos seus vários poderes, inclusive na esfera política. No tocante à família, são incontáveis os casos em que se encontram sozinhas no comando da família.Tudo indica que tende a crescer a pressão feminina para alcançar a graça do sacerdócio. O Espírito Santo certamente ajudará a Igreja a proceder como lhe parecer melhor. Jesus Cristo contrariando a cultura dominante em sua época, deixou-nos um extraordinário exemplo de valorização da mulher, tratando-as e dignificando-as com extremo carinho. Para contrabalançar o clima de violência que marcou o século XX, os Papas foram exemplares na indicação de caminhos para alcançarmos a justiça e a paz. Pena que poucos tenham tido ciência do enorme acervo doutrinário acumulado pela Igreja analisando e formulando diretrizes sociais para seus militantes. Essa determinação da Igreja de engajar-se na problemática em que a sociedade se debate, em diferentes fases de sua evolução, começou com Leão XIII em fins do séc. XIX com a inesperada publicação da Encíclica "Rerum Novarum" considerada, então, como a Carta Magna dos Trabalhadores. Na época, era crescente o laicismo desencantado e grande a ameaça do socialismo ateu. As classes operárias eram mantidas nos cativeiros do capitalismo emergente, fruto do egoísmo e da usura. Leão XIII denuncia vigorosamente esse quadro, apontando o Estado como responsável por essa "odiosa servidão, porta aberta para discórdias e conflitos". Pio XI aos 40 anos da Rerum Novarum , quando surgiam na Itália o fascismo e na Alemanha o nazismo, reiterou a denúncia do trabalho tratado como mercadoria. Condenou, já naquele tempo, a economia de mercado sem fundamento moral e social. Propugna pela criação de corporações onde patrões e empregados pudessem se entender. Foi incisivo na denúncia aos riscos do totalitarismo estatal, prejudicando a atuação da sociedade. Ante a ameaça do fascismo e do nazismo, publica duras e corajosas Encíclicas denunciando seus riscos. Contra Mussolini dá à Encíclica um título provocador "Não precisamos" (de vocês). Fez o mesmo contra o regime comunista já instalado na Rússia. Pio XI incentivou a participação dos leigos com a criação da "Ação Católica" movimento que se desdobrou em segmentos especializados de mobilização dos jovens - conciliando ação e espiritualidade. Os jovens o acolheram com entusiasmo. Pio XII fez apelos constantes pela Paz transmitindo suas mensagens, principalmente pelo rádio em plena 2° Guerra. Documentos do Vaticano revelam que muitos perseguidos foram salvos por ele. Nessa fase de turbulências defendeu o direito das pessoas de emigrar e imigrar, num período em que esse direito era negado. Pelo fato de ter sido Núncio na Alemanha teve a ingenuidade de tentar um acordo de Paz com Hitler, obviamente inviabilizado pela firme convicção nazista de conquistar o mundo. Mesmo ante as ameaças dos regimes totalitários dominantes, foi o primeiro pontífice a privilegiar a democracia como regime político mais justo. Pode-se dizer que o Espírito Santo caprichou com a eleição de João XXIII,escolhido, pela idade, para morrer em pouco tempo. A Igreja atingiu o ápice da cristandade com esse Papa que, em seu curto período de vida, conquistou a simpatia de todos e revigorou as esperanças dos cristãos. Publicou 8 Encíclicas, duas das quais "Mater et Magistra" e "Paz na Terra" foram recebidas com entusiasmo pela aguda e realista análise dos problemas de seu tempo. Ele antevê os riscos da globalização com as crescentes desigualdades, afirmando que a "questão social" extrapolara os limites nacionais, tornando-se um problema mundial. Defende o "princípio da subsidiariedade" para preservar e estimular a iniciativa privada e a ação de núcleos de empreendedores sempre que estes pudessem atuar melhor que o Estado. Insurgiu-se com a discriminação da agricultura em comparação com os incentivos concedidos à industria e às áreas urbanas. Ao propor a reforma da empresa, sugere que a salvaguarda da autoridade e eficiência de sua direção, seja acompanhada pela co-gestão participativa de seus empregados, já que a passividade é negativa. Para surpresa da Cúria Romana convocou o Concílio Vaticano “abrindo as portas e janelas da Igreja aos ventos e valores do mundo". Foi um ato de grandeza e coragem, causando imenso impacto na história da Igreja e na sociedade em geral. Paulo VI substituiu-o e presidiu o Concílio até seu encerramento com marcante competência, por sua notável cultura e vivência eclesial. Distinguiu-se pela insistente pregação da Paz e pelo tirocínio político. Foi o primeiro Papa a sair do Vaticano para evangelizar seu rebanho mais de perto. Com esse propósito compareceu à Assembléia das Nações Unidas discursando em favor do entendimento entre as Nações e propondo a cobrança de 1% sobre os gastos com armamento para formação de um fundo de assistência aos países emergentes, proposta recebida com indiferença pelo Conselho. Estava convicto de que a universalidade do desenvolvimento atenderia às necessidades prementes das nações tão desigualmente tratadas. Chegou a dizer que o "desenvolvimento era o novo nome da Paz". Publicou memoráveL Encíclica denominada "Progresso dos Povos" em que faz instigante análise dos problemas da época. Fixou, numa frase simples e irretocável, o conceito de desenvolvimento “como processo de aperfeiçoamento do homem todo e de todos os homens”, estabelecendo o pleno humanismo. Para ele o desenvolvimento integrado do homem não se realizará sem o desenvolvimento solidário da humanidade. A Encíclica "Humanae Vitae”, em que condena o uso de todos os meios não naturais de contracepção, (contrariando, ao que se diz, a recomendação da Comissão de Peritos constituída por João XXIII) foi recebida com desagrado por muita gente, criando-lhe enorme sofrimento como se deduz da frase que proferiu: "sinto-me absolutamente só" ouvida por uma testemunha amiga. João Paulo II, em seu longo pontificado, tornou-se uma personalidade singularmente importante no mundo. Dificilmente se encontrará um tema que não tenha sido abordado por ele. Por sua energia e porte atlético, quebrou todos os protocolos vaticanos, viajando pelo mundo em todos seus quadrantes, transmitindo incansavelmente a mensagem cristã e dando testemunho de fé. Apesar dos desencontros em que vivemos João Paulo ganhou uma grandeza moral e intelectual que o elevou ao ápice do respeito mundial. Mesmo os descrentes não encontram hoje personalidade mais carismática. Entre dezenas de documentos divulgados por ele, poder-se-ia destacar na área social três Encíclicas: 1. Trabalho humano 2. Centesimus Annos 3. Solicitude Social Por sua qualidade e oportunidade, são documentos que muito ilustrariam a classe política se tivesse tempo para ler o que importa. Na Encíclica sobre o Trabalho, lembra que o homem é co-criador designado por Deus para dominar a Terra. É pelo trabalho que deverá assumir esse papel, contribuindo para o progresso coletivo. Em decorrência da própria dignidade da pessoa, o trabalho tem primazia sobre o capital. É a chave da questão social e só ele legitima a propriedade. Pelo trabalho o homem: · humaniza a natureza · realiza-se pessoalmente e em sua dimensão familiar · torna-se construtor de uma pátria e de uma cultura. Por sua transcendência, o homem não é nem pode ser uma peça anônima desse imenso mecanismo produtivo. O trabalho não é apenas, um direito mas um dever do homem. São Paulo, em declaração clara e rude afirmou que "quem não trabalha deve se abster de comer". Nas outras duas Encíclicas o Papa lamenta que desde a "Populorum Progressio” o hiato das diferenças sociais não se reduziu e até ampliou-se. As esperanças provindas do desenvolvimento se desfizeram, por se terem omitido, na sua implantação, fatores fundamentais. Refere-se ao desestimulo à iniciativa privada, tão necessária como formadora da cidadania e lamenta a passividade e a submissão aos aparatos burocráticos. Conquanto a questão central afirma o Pontífice, seja o fato de poucos possuírem muito e muitos quase nada, deve-se procurar conciliar o ter e o ser prevenindo-se contra perigosa antinomia. Todos devem unir-se na luta por um desenvolvimento humano, autêntico e integral num quadro de solidariedade e liberdade. Não é fora de propósito assinalar a existência de uma "estrutura de pecado", à vista de uma sociedade marcada pelo egoísmo e obsessão do lucro e sede de poder. Pio XII tinha como tema "a paz é fruto da justiça". Hoje diz o Papa, seria mais próprio, dizer que a "paz é fruto da solidariedade", virtude tão escassa hoje. Para isso ele conclama os homens e mulheres a atuarem como operadores da paz e da justiça. O Papa assinala que o elemento mais perverso do consumismo artificial é o crescente consumo da droga agora integrado num gigantesco comércio internacional. Com tantas frustrações diante das expectativas de um desenvolvimento salvador, diz João Paulo II que não se trata apenas de dar o supérfluo, mas de ajudar povos inteiros, hoje excluídos do círculo do desenvolvimento econômico e humano. Essa enorme tarefa só terá êxito na medida em que se basear num fundamento ético, através de um verdadeiro ecumenismo universal envolvendo as Igrejas cristãs e as grandes religiões. Todos os homens são convocados, especialmente as pessoas e grupos para se empenharem com responsabilidade específica, no campo político, econômico e social. Os empresários, por suas articulações com seus empregados e associados tem papel destacado nessa missão. Essas breves referências à atuação dos Papas, ao longo do século XX, demonstram como se empenharam em assinalar os caminhos para contornar crises e assegurar a Paz. A história revela, entretanto, que nunca foi fácil cumprir essa meta quando os indícios são de um mundo quase incontrolável. O novo milênio se inaugura com incógnitas e indagações Que só o futuro desvendará. João Paulo II deu emocionante demonstração de humildade e fidelidade a Jesus Cristo pedindo perdão "pelos pecados de todos os seus filhos em todos os tempos". O sacrifício do filho de Deus, encarnando-se para viver conosco dá-nos a medida da responsabilidade que recebemos para corresponder à sua confiança em nós. Como sempre, nos defrontamos com novos desafios. Quem conhece o Caminho, a Verdade e a Vida, não pode desesperar. É necessário que prevaleçam, sobretudo, o espírito renovador e de esperanças que pairou sobre o Concílio Vaticano II. Em sua carta apostólica sobre o novo milênio, o Papa cita a declaração de Santo Agostinho de que a "Igreja vive no meio da perseguição do mundo e das consolações de Deus". Nesse mundo do Reino de Deus, lembra o Pontífice não há tempo para olhar para traz, menos ainda para nos entregarmos à preguiça. Há muito trabalho a nossa espera. Jesus, acentua o Papa, é o Homem Novo que convida a humanidade redimida a participar de sua vida divina. No Mistério da Encarnação encontram-se as bases para uma antropologia capaz de ultrapassar seus próprios limites e contradições. O que nos conforta e anima é a promessa de Cristo de "estar conosco todos os dias até o fim dos tempos". Devemos nos abrir ao sopro do Espírito Santo, procurando identificar a vontade do Senhor e os sinais dos tempos. Os Papas não fugiram aos desafios de sua época. Como co-criadores cabe-nos, como queria o Criador, cultivar a Terra e prepará-la para o advento do "Reino de Deus". O amor e a fé são pressupostos básicos para efetivarmos esse projeto e alcançarmos a Paz e o Bem Comum. A longevidade nos deixa ansiosos, rogando a Deus para que os jovens não se percam nesta civilização do espetáculo, onde tantos são os descaminhos e as seduções. Alertá-los para que visualizem os horizontes e não se atemorizem, nem sempre vai adiantar. Cada geração vive sua própria experiência aprendendo, sofrendo e se realizando. O que se deseja é que cultivem suas utopias e sejam competentes e generosos para materializá-las lembrando-se de que vãos serão seus esforços se Deus não ajudar. Velho como eu, só lamenta não poder voltar atrás, já que poderia ter feito muito mais do que fez, confiando, entretanto, na Misericórdia Divina. |
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