Jovem




O que significa ser jovem hoje?

No esboço de uma resposta à complexa pergunta sobre o que é ser jovem hoje, vamos realizar uma abordagem mais genérica, de fundo, abrindo assim a perspectiva para que cada um, ao ler esse artigo, possa reconhecer os sinais desses fatos no seu contexto pastoral específico.

Primeiramente, vamos ter em mente algumas das condições do mundo atual, o seu modelo de sociedade onde são colocadas em cena novas identidades e novas maneiras de se relacionar.

A sociedade em que vivemos está fortemente apoiada em alguns fatos que enumeramos a seguir. Longe de serem uma enunciação exaustiva e relativa a todos os âmbitos sócio econômicos, oferecem um panorama geral:

crise dos ideais modernos de ser humano e mundo; desencanto do projeto de modernidade ocidental e a conseqüente aparição de correntes culturais de índoles muito diversas, anarquicamente estudadas sobre a denominação de "pós-moderno". Esta crise impôs o questionamento generalizado de tudo e a imposição do ideal "não ter ideais", isto é, vale tudo;

convergência de novas maneiras de intervir no mundo e fazê-lo propriedade do ser humano: integração das telecomunicações, a informática, o áudio-visual como sucesso central da chamada sociedade informacional. Isso implicou novas formas de relação entre as pessoas e o uso de novas formas de expressão;
a globalização das tecnologias informacionais promovem uma multiculturalidade que rompem os referenciais tradicionais de identidade (religião, pertença a um país ou nação, tradições); a nossa identidade não pode se definir mais exclusivamente por uma pertença a uma comunidade nacional;
diferenciações devido ao uso e acesso desigual aos bens culturais;
a homogeneização, a massificação e o individualismo reorganizam sem descanso a estrutura da sociedade;
ânsia dos espaços privados, dos refúgios particulares: o fenômeno dos condomínios;
produção industrial da cultura e o consumo;
perda do poder socializador e de aquisição de conhecimentos e valores de instituições tais como a escola, a família, a igreja, e sua substituição por outros cenários tais como as novas tecnologias (meios de comunicação de massa, redes de informação, internet, música, etc)
Nesse contexto, como o jovem pode construir a sua identidade? E qual a contribuição que os agentes de pastoral da juventude podem possuir nesse processo?

 

Ser "jovem" como uma construção


 
Hoje encontramos uma condição de juventude que se constrói fundamentalmente na esfera do simbólico e do ideológico: uso e apropriação seja de símbolos, de significados, de ideais, de referências simbólicas.

Ser jovem está na moda. Todos querem ser jovens, algo que se definiu como um estilo de vida. Surgem os adultos de aspecto juvenil, as plásticas, a moda jovem.

Ser jovem não é o mesmo que juvenil. Juvenil é um padrão de moda e consumo. E "ser jovem" é uma construção moderna porque, antes a pessoa era criança ou adulto. Não havia essa condição que agora tira o sono, preocupa, molesta e estorva os políticos. Uma condição construída com a modernização da sociedade: maior tempo de educação e socialização, maior tempo de adequação à vida adulta.

A juventude entendida como construção histórica e cultural da modernidade é uma construção transitória. Geralmente é estabelecida a categoria "jovem" desde um critério cronológico e biológico, identificando a juventude como uma etapa da vida que vai dos 14 aos 25 anos. Entretanto cada grupo social e econômico possui sua realidade própria que geram variações nesse intervalo.

Outra maneira de configuração do juvenil é entender a juventude como uma construção imaginária, entender o jovem como um sujeito perigoso, estigmatizado, causador de problemáticas sociais e políticas, representações que propõem ao jovem um lugar onde possa ser controlado e justifica dinâmicas políticas, sociais e culturais de marginalização e domínio.

Outra perspectiva é a concepção de juventude como um campo de disputa pela hegemonia cultural e a reprodução simbólica da sociedade. O jovem é um sujeito em mudança, incompleto e imaturo, que está em condição de assimilar a cultura e portanto seu ponto de chegada é ser adulto: terminará por superar seu conflito de identidade e se integrará, sendo responsáveis por si mesmo e pelo mundo.

E há também o conceito de "moratória social" para os jovens, isto é, a juventude é um período de permissividade que intermedia a maturidade biológica e a maturidade social. Esta moratória significa a postergação cada vez mais prolongada ou restrita, segundo o extrato sócio econômico a que pertença o jovem, para assumir sua integração e participação na sociedade. Assim, permanecem à margem da sociedade em um sentido econômico e reprodutivo, tendo a oportunidade de estudar, de desenvolver sua capacidade intelectual em instituições de ensino e tendo um tempo livre socialmente legitimado. Mas isso aos jovens dos estratos sócio econômicos altos. Os jovens dos setores populares vivem uma moratória cada vez mais angustiante e restrita.

Bem, desde estas referências, se constrói muitas vezes uma imagem da juventude como aquela que foi fetichizada pela linguagem da sociedade de consumo, da indústria cultural e que é representada como "vigorosa, desejável, natural, ahistórica, espontânea" mas que se mantém alienada, sem responsabilidades, sem laços de compromisso e solidariedade, onde se emprega uma "parte considerável de suas energias e desejos no apego narcisista ao culto e atenção ao próprio corpo, até seu pleno ingresso nas responsabilidades da vida adulta.

Enfim, estas são algumas das imagens associadas a juventude. Para que exista juventude é necessário que sejam garantidas por um lado, uma série de condições sociais, como comportamentos, normas, que distingam os jovens de outras faixas etárias. E por outro lado, uma série de imagens culturais, como valores e ritos, reconhecidos pelos demais e associados a eles como jovens.

Assim também na comunidade paroquial por exemplo. Uma série de comportamentos e modos de atuação são atribuídos, esperados e legitimados para os jovens. A "juventude" assim é inventada, como pastoral, desde fora, através das pastorais dos "adultos" e desde dentro, através da auto imagem que o jovem tem de si mesmo, influenciado pela sociedade em que vive.

Devemos portanto, na nossa atuação pastoral, reconhecer esta construção simbólica, todos os valores e ritos associados a nós, jovens. Reinventando-os, aceitando-os, incorporando-os, não importa. Importa é ter em mente que "ser jovem" é também uma identidade construída.


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