Coluna: Luiz Paulo Horta




Mensagens de Natal

Por: Luiz Paulo Horta

O simbolismo do Natal é inesgotável. Podemos meditar, por exemplo, no ponto do ano em que ele foi colocado. Historicamente, o cristianismo pertence ao hemisfério norte. Ali, a festa de Natal coincide com o que era, nos velhos tempos, o solstício de inverno — o ponto de maior escuridão, teoricamente o dia mais frio, a partir do qual começam a voltar a luz e o calor.

Outro simbolismo é o da pobreza,  do despojamento. O Menino nasce num estábulo, numa manjedoura, e mal tem com que se cobrir. Mas é nessa pobreza absoluta que somos visitados pelo espírito do Alto; e é nesse contexto que a maior riqueza se manifesta.

Isso pode ser aplicado aos mais diversos momentos de nossas vidas. Há momentos em que nos sentimos intrinsecamente pobres, vazios, sozinhos. Por exemplo, quando perdemos um ente querido. A solidão que assim se estabelece é uma situação de pobreza enorme. Perdemos um afeto, uma companheira, um filho, um pai. Nos sentimos pobres, abandonados. A tentação muito humana, nessas horas, é sair correndo em todas as direções, fazendo barulho ou procurando barulho.

É, um pouco, a situação geral da nossa vida. Pascal chegou a dizer que o grande problema  do ser humano é essa busca  do “divertimento” a qualquer  custo. Queremos nos divertir  porque achamos, por equívoco, que a vida é vazia, ou é chata, ou é muito “igual”.

Mas se, em vez disso, aceitamos realmente a situação de pobreza — material ou existencial —, uma porta se abre para as grandes revelações. A primeira delas, a de que a vida, em qualquer circunstância, esconde tesouros infinitos, que estão à nossa disposição, contanto que saibamos achar o caminho para eles. Uma outra, ainda mais importante, é de que esses tesouros não são uma coisa estática: significam, em vez disso, uma Presença, uma força inacreditável, uma suavidade extraordinária.

Enquanto estamos nos distraindo, passamos ao largo de todas essas possibilidades. Mas se você aceita a sua pobreza existencial, se você tem a paciência necessária para esperar no lugar em que você está, com os pouquíssimos recursos de que dispomos, você se põe na condição daquele silêncio significativo que precede as revelações. Zacarias, pai de são João Batista, ficou mudo (contra a sua vontade) até o momento em que pôde dizer a verdade libertadora, num dos mais belos poemas de toda a Bíblia. É esse silêncio criador que temos de pedir — mesmo se, enquanto ele dura, a alma parece apertada, sufocada, estreita.


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