Jesus Cristo

Eis o cordeiro de Deus!

O profeta Isaías, ao predizer sobre o Messias, irá chamá-lo de servo e será aquele em quem o Senhor será glorificado. “Tu és meu servo, Israel, em quem serei glorificado. Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os fins da terra.” (Is 49, 3.6) E é como servo que Jesus começará a se manifestar ao povo de Israel. Ele, que sabedor da sua missão poderia vangloriar-se dela, faz-se servo, aquele que é manso e humilde de coração e que atende com alegria os desejos de seu Senhor.

Ao aproximar-se de João no rio Jordão a fim de ser batizado, Jesus será chamado pelo Batista de “Cordeiro de Deus”. “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (Jo 1, 29) – aclamará João ao ver Jesus que se aproxima com humildade para o batismo, querendo desde o início de sua missão fazer-se igual a todo aquele povo que procurava por consolo e conversão.

O cordeiro é um animal manso, pacato, e assim foi Jesus em sua manifestação à humanidade. Sua mansidão não pode ser confundida com passividade. Ao contrário, era uma resposta de não-violência a toda injustiça a que seu povo era submetida. Sua mansidão era a tradução da paz própria daqueles que se encontram em comunhão contínua com Deus Pai e sabem-se fazendo a vontade do Criador.

Até hoje proclamamos as palavras de João Batista em nossas celebrações. A assembléia aclama o Cordeiro de Deus e Lhe pede piedade e paz. Depois, Jesus Eucarístico é elevado à frente da assembléia e apresentado a ela Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e respondemos a esta visão com um pedido de salvação. Continuamos, como João, a nos sabermos indignos de desatar as correias das sandálias do Salvador.

À visão do Cordeiro de Deus Eucarístico devemos, pois, refletir: fazemos da Eucaristia um momento de comunhão com o Senhor de modo que O deixemos transformar nossos corações com sua mansidão? Desejamos firmemente sermos manso como Ele o foi? Desejamos tornarmo-nos também Cordeiros de Deus, ainda que nos seja reservado o sacrifício? A visão do Cordeiro continua a nos impelir à transformação, a um novo batismo, tal como João predisse então. Jesus batizará não com a água, mas com o Espírito. Permitamos, pois, que o Espírito do Cordeiro nos faça mansos e diligentes para com a construção da paz.
Textos para sua reflexão:
Is 49, 3.5-6
Jo 1, 29-34