Oração do manto de Beato Anchieta

Gilda Maria Rocha de Carvalho
gilda@dctch.puc-rio.br


Conta a história que em um dos muito embates contra os índios tamoios, canibais, Anchieta foi feito refém. Sofreu violências físicas e morais, sem, contudo, perder a fé e deixar de acreditar que tudo passaria e o Espírito de Deus faria reinar a paz. E assim se sucedeu. Por ter experimentado o cativeiro e a violência, Anchieta é venerado como protetor contra todas as formas de violência, em particular o seqüestro. Nesses tempos de violência, Anchieta vem sendo invocado para se alcançar a proteção contra assaltos, seqüestros e outras formas de violência. E foi a partir dessa devoção, que o padre jesuíta José Maria Fernandes escreveu e o então provincial da Companhia de Jesus da Província Brasil Centro Leste, Pe. José Antônio Netto de Oliveira, aprovou, esta oração pedindo ao Apóstolo do Brasil que interceda por nós junto ao Senhor, para que a paz volte a reinar em nossas cidades:

Oração do Manto
Beato Anchieta, cujo coração abrasado pelo amor ao próximo buscou com afinco aliviar os males do corpo e da alma de todos os que estivessem necessitados, aliviai-nos hoje das aflições deste mundo tão conturbado.
E assim como vosso santo manto tantas vezes vos protegeu do sol, do frio, dos ventos, das tempestades e dos perigos da selva, nas incansáveis andanças por terras do Brasil em nome do Senhor, rogamos também neste momento a vossa proteção. Recolhei-nos de agora em diante sob ele. Abrigai, envolvei, agasalhai e protegei o nosso corpo dos perigos que diariamente estamos sujeitos a enfrentar, fazendo com que possamos nos tornar invisíveis diante da agressão e da violência de um assalto e de um seqüestro. Abrigai também a nossa razão, o nosso entendimento, o nosso coração e a nossa alma para que reconfortados, fortalecidos e interiormente harmonizados possamos construir a nossa existência neste mundo, como o fizestes, "para a maior glória de Deus".
Beato Pe. Anchieta, a vós que num ato de coragem, tão próprio da vossa infinita bondade e do vosso amor ao próximo, vos tornastes refém dos indígenas, em nome da paz entre todos os irmãos, rogamos também que abrandeis hoje o coração de todos aqueles que nos tornam diariamente reféns do temor em decorrência dos seus atos de desmando cruel. Dai-lhes discernimento!

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