O outro são Bento

Por: Luiz Paulo Horta

O Papa Bento XVI tem explicado de diversas maneiras a escolha desse nome. Mencionou Bento XV, que foi Papa durante a I Guerra Mundial, como exemplo de alguém que se dedicou ao serviço da paz. Mencionou são Bento, fundador dos beneditinos, que foi certamente um dos fatores de regeneração da Europa nos tempos que se seguiram ao colapso do Império Romano. Mas pouco ou nada tem-se falado de são Bento de Labre, em cujo dia de festa - 16 de abril - nasceu o futuro Bento XVI.

Esse santo francês viveu apenas 35 anos, nos tempos que antecederam a Revolução Francesa, e tinha uma vocação extraordinária: a de mendigo. Nasceu no Norte da França, e era o mais velho de 15 irmãos. Passou a juventude no campo, com seus pais e seus irmãos. Mas seu sonho era ser monge.

Já aos 19 anos estava batendo na porta de diversas abadias - de ordens severíssimas como a dos Cartuxos. Foi recusado por ser muito jovem. Mais adiante, foi aceito na cartuxa de Montreuil-sur-Mer, mas teve de sair por problemas de saúde.

Depois de outras experiências frustradas, ele finalmente resolve levar a vida do peregrino errante. Em sete anos, percorreu cerca de 30 mil quilômetros pelas estradas que o levaram a Compostela, a santuários na França, Suíça, na Alemanha e na Polônia. Vivia numa pobreza extrema, e o pouco que tinha dividia com os mais pobres. Levava ao pescoço um saco onde guardava uma Bíblia e uma "Imitação de Cristo".

Sua cidade preferida era Roma, onde ele ia de igreja em igreja, e onde passou um tempo abrigado nas ruínas do Coliseu. Nas ruas, os meninos zombavam da sua figura esquálida e maltrapilha. Na Quarta-feira Santa de 1783, ele foi encontrado desfalecido nos degraus da Madonna dei Monti. Morreu no dia seguinte, e imediatamente o povo começou a gritar pelas ruas de Roma: "Morreu o santo!". Milagres logo aconteceram em seu túmulo, mas a canonização só aconteceu cem anos depois. Ele é considerado o santo dos sem-teto, dos pobres e dos excluídos.