Entrevistas

Economia Solidária e a rebelião dos limites. Uma economia para a vida. Entrevista especial com Luís Carlos Dalla Rosa

Publicado em 23/11/2017 por: João Vitor Santos

Para o professor Luís Carlos Dalla Rosa, a chamada economia solidária é muito mais do que uma prática produtiva. “Trata-se de uma economia plural, na medida em que ela acontece a partir de organizações populares que resgatam a sujeiticidade humana, sem esquecer da sua integração com a natureza”, explica. Assim, compreende essa perspectiva como um caminho para fazer frente ao modo de produção capitalista, desde a lógica de consumo até a geração de desigualdades. “A solidariedade, enquanto uma dimensão econômica, não é uma condição automática e não surge porque simplesmente há uma situação de miserabilidade. Porém, a introdução da solidariedade, ao lado da autogestão e da cooperação, pode criar um circuito que fundamenta um novo projeto de sociedade”, destaca.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Dalla Rosa ainda analisa os programas governamentais. “Como se percebe nas políticas que foram adotadas pelos governos Lula e Dilma, a distribuição de renda significou mais um acesso aos bens de consumo, que em um primeiro momento é justo e necessário, do que propriamente uma perspectiva que pudesse desencadear processos emancipatórios”, analisa. Para ele, “se os programas governamentais de distribuição de renda não implicarem ou não estiverem associados a políticas de diminuição de desigualdades sociais, podem ser questionados até que ponto conseguem dar conta das condições que geram realidades de pobreza”. Por isso, defende: “a solidariedade é uma vivência comunitária, relação eu-outro, não é uma esmola, uma mera caridade”.

Luís Carlos Dalla Rosa é graduado em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul - UCS, possui doutorado em Teologia pela Faculdades EST, de São Leopoldo, e realizou estágio pós-doutoral em Teologia na EST e na Princeton Seminary Theological, nos Estados Unidos. Atua como professor de Antropologia Cultural e Religiosa na Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre e supervisor Pastoral da Gerência Social da Rede Marista. Entre suas publicações, destacamos Educar para a sabedoria do amor: a alteridade como paradigma educativo (São Paulo: Paulinas, 2012) e Economia para a vida: a rebelião dos limites e o itinerário teológico para uma economia solidária (São Leopoldo, RS: Sinodal, 2016).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor compreende o conceito de economia solidária?

Mais do que um modo de produção, pode-se entendê-la como um modo de viver

Luís Carlos Dalla Rosa – Certamente estamos falando de um jeito diferente de pensar e organizar a dimensão econômica. Trata-se de uma economia plural, na medida em que ela acontece a partir de organizações populares, trabalhadores e trabalhadoras que resgatam a sujeiticidade humana, sem esquecer da sua integração com a natureza. Mais do que um modo de produção, pode-se entendê-la como um modo de viver, a partir da ideia da cooperação, do viver melhor juntos, da relação democrática.

Embora suas raízes remontem ao século XIX, a partir do movimento socialista e cooperativo owenista – Robert Owen –, no Reino Unido, tenha-se em conta que a economia solidária é uma reinvenção dos movimentos sociais e sindicais que ganha força no fim do século XX, uma época de crise econômica, em que ressurge o problema de desemprego em muitos países industrializados, após um período de pleno emprego (1940-1970) e de acomodação da classe trabalhadora no assalariamento. A economia solidária, enquanto terminologia, surge no Brasil nos anos 1980, mas é um movimento que ocorre no mundo todo e reporta a outras experiências similares. Há organizações e associações cooperadas em ao menos trinta países, incluindo o Brasil, que incluem uma diversidade de atores sociais e pessoas que atuam tanto no campo de fomento como na realização de práticas de economia solidária. As práticas são variadas: comércio justo, finanças éticas, mercado social, cooperativas de produção e consumo responsável, clubes de troca etc.

A solidariedade, enquanto uma dimensão econômica, não é uma condição automática e não surge porque simplesmente há uma situação de miserabilidade. Porém, a introdução da solidariedade, ao lado da autogestão e da cooperação, pode criar um circuito que fundamenta um novo projeto de sociedade. Permite-se vislumbrar, na economia solidária, uma economia de práxis libertadora. É libertadora, dentre outros motivos, porque se sustenta a partir do protagonismo de trabalhadores e trabalhadoras, atores sociais que assumem sua história e colocam em prática uma forma de existência social baseada na democracia participativa, cooperação e solidariedade.

Aqui destaco sua força conceitual ou perspectiva que se pode dizer utópica, mas que não podemos perder de vista que há também suas incongruências e mazelas. Esse aspecto retomo adiante, sobretudo quando toco na questão dos desafios.

IHU On-Line – Qual a diferença entre a economia solidária e o assistencialismo baseado no sistema capitalista/financeirista, muito presente em programas governamentais?

Luís Carlos Dalla Rosa – Como ponto de partida, ao menos como tentativa, a economia solidária se contrapõe ao metabolismo capitalista que se baseia na competição, no individualismo, na exploração, na pretensão de levar vantagem pela derrota do/a Outro/a. Destaco ainda que, na economia solidária, a relação com o trabalho não é a da alienação que se alimenta da lógica da oferta e procura, em que os trabalhadores recebem salários desiguais e escalonados por critérios de mercado, como o da meritocracia.

Creio que a economia solidária pode colocar em questão as dinâmicas assistencialistas que perpassam a lógica capitalista, lógica esta que foi assumida inclusive por governos ditos progressistas como, por exemplo, no contexto brasileiro, em que a era Lula-Dilma não foi capaz de enfrentar os desafios impostos pelo capital financeiro, porque em certa medida preferiu jogar o jogo do “partido de Wall Street”, para usar uma expressão de David Harvey, geógrafo britânico. Nesse sentido, cabe destacar que, embora haja a organização de uma Secretaria de Economia Solidária, a partir de 2003, sob a responsabilidade de Paul Singer, as iniciativas dos governos petistas permaneceram como políticas de governo, mas não se tornaram políticas de Estado.

A manutenção de investimentos governamentais depende da boa vontade do executivo que, conforme a conveniência, realiza suas políticas de apoio ou não. E quando o faz, coloca-se na perspectiva assistencialista. A solidariedade é uma vivência comunitária, relação eu-outro, não é uma esmola, uma mera caridade. Muitas vezes, a piedade humilha as pessoas.

A economia solidária não precisa estar atrelada aos programas governamentais. Muitas das iniciativas nasceram e continuam se organizando a partir de articulações próprias. Nesse sentido, creio que a economia solidária tem o potencial de provocar uma fissura, um estranhamento na dinâmica do mercado. Recupera-se a dimensão da cidadania, do sujeito que participa da comunidade, o sujeito social. A economia solidária proporciona o contato direto e a criação de vínculos, aspectos que não são bem vistos para muitas empresas tradicionais, na medida em que eles podem fortalecer a união dos trabalhadores e trabalhadoras e interferir na ordem e na hierarquia estabelecidas pela lógica capitalista.

IHU On-Line – Quais os desafios para se conceber uma economia solidária?

Luís Carlos Dalla Rosa – Aqui cabe chamar atenção para alguns desafios que percebo no contexto da economia solidária que, além do Brasil, tem articulações em outros países como, por exemplo, Argentina, Uruguai, Bolívia, Portugal, Espanha, Itália, Suíça, Estados Unidos, África do Sul, Bangladesch... Certamente não se pode falar de uma única forma de economia solidária, na medida em que ela perfaz diferentes modalidades de iniciativas, com cunho associativo ou cooperativo, desde o artesanato, reciclagem, alimentação, cultura, turismo, educação e formação, microcrédito e finanças, agricultura familiar, produção e comércio justo, confecção, fiação e tecelagem... Uma visita ao portal espanhol de economia solidária pode oferecer uma ideia da amplitude dessas iniciativas. No Brasil, o Banco Palmas pode ser destacado como um dos exemplos que tem dado certo e tem beneficiado uma diversidade de iniciativas. A Feira de Economia Solidária, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que reúne uma rede de iniciativas, pode ser apontada como um símbolo desta caminhada.

No entanto, não são poucos os seus desafios. Pode-se perguntar até que ponto a economia solidária de fato consegue fazer frente à economia capitalista, na medida em que há o perigo de sua instrumentalização por parte desta. Nesse sentido, é ainda oportuna a observação de Rosaldo Schütz, quando diz que a economia solidária pode significar “uma forma não convencional de reintegração dos destroços e das migalhas humanas e materiais e, até mesmo, de formas econômicas não capitalistas, aos circuitos do capital”.

Nesse sentido, de forma irônica, costumo dizer que, para o capital, não há nenhum problema uma camiseta estampar a imagem de um Che Guevara ou uma Frida Kahlo. Se isso vender e gerar lucro, pode até se tornar um produto de grife e estar no circuito do capital. Agora, o que o discurso capitalista não suporta é a concepção de sociedade e de ser humano que Che Guevara e Frida Kahlo podem inspirar em termos de luta. Isso também vale para a economia solidária. Embora seus princípios se diferenciem da perspectiva capitalista, trata-se em geral de uma proposta econômica convivendo com a economia de mercado e, como tal, coloca-se o problema de como de fato os empreendimentos de economia solidária podem ser diferentes sem entrar na dinâmica do capital.

Um dos principais desafios enfrentados pelos empreendimentos de economia solidária está na sua relação com a economia capitalista baseada na concorrência e sensível às suas leis de oferta e procura. Para as iniciativas de economia solidária que, em geral, formam-se sem acúmulo de capital e contando com equipamentos obsoletos (como os herdados de fábricas falidas), torna-se problemático acompanhar o modo de produção capitalista, tanto em termos de custos de produção como em questões de mercado como, por exemplo, preço e qualidade que são determinantes na relação comercial. Daí a importância da organização de redes como uma estratégia, não a única, que deve ser coerente com a proposta da economia solidária.

Não obstante, não é apenas o aspecto da viabilidade econômica ou nível de renda que conta como critério de análise, mas é interessante considerar também como a economia solidária incide sobre o processo de um desenvolvimento mais integral das pessoas envolvidas, bem como da comunidade implicada. Nesse sentido, cabe notar que, apesar das dificuldades, a economia solidária não tem apenas conquistado espaço enquanto forma de sobrevivência, mas também como promoção de elementos emancipatórios das pessoas envolvidas. Um exemplo disso é o protagonismo e a liderança de mulheres em diferentes iniciativas de economia solidária, embora esta constatação ainda não signifique uma real superação da cultura androcêntrica que também se faz presente na econômica solidária.

IHU On-Line – De que forma a teologia pode contribuir no debate sobre economia solidária?

Luís Carlos Dalla Rosa – Falo aqui a partir de uma perspectiva de teologia pública, a partir da qual também me associo à concepção defendida pelo teólogo Rudolf von Sinner, segundo o qual trata-se de defender uma práxis teológica que “mantém a sensibilidade da teologia para problemas ligados ao bem comum e para os quais são possíveis contribuições a partir da fé cristã”.

Pois bem, a partir desse ponto de partida, entendo que a teologia também pode e deve interagir com o campo da economia, sobretudo numa perspectiva de defesa da vida. Se a teologia tem como ponto de partida o Deus da vida, e a economia, enquanto oikonomia, implica cuidar das condições necessárias para o viver, então, economia e teologia têm implicações mútuas, seja na forma crítica como propositiva. E isso impacta no debate sobre a economia solidária.

Tenha-se em conta que muitas iniciativas de economia solidária foram fomentadas ou apoiadas por comunidades ou organismos eclesiais, como no caso da Cáritas Brasileira, entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, que ajudou a configurar a concepção da economia popular solidária, uma forma de atuação articulada junto aos excluídos e excluídas. Do mesmo modo, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB, por iniciativa da Fundação Luterana de Diaconia - FLD, assume a economia solidária como um de seus projetos sociais.

Como essas vivências e práticas impactam na teologia ou como a teologia pode contribuir para uma caminhada eclesial, inserida também no contexto da economia solidária, são desafios que tocam na forma como a fé cristã busca assumir a perspectiva do Deus da vida, quiçá o sentido de uma economia de Deus que se traduz na busca por uma economia que é do cuidar para que todos(as) tenham vida, incluindo a dimensão da natureza. Nesse sentido, a economia solidária surge como uma expressão que diz respeito também ao quefazer teológico.

IHU On-Line – Teologicamente falando, de que forma as lógicas capitalistas neoliberais se contrapõem às perspectivas cristãs?

Luís Carlos Dalla Rosa – Talvez tenhamos que ter presente quais perspectivas cristãs, na medida em que há também, dentre essas, as que se coadunam muito bem com a lógica neoliberal. Ali se pode falar em teologias que servem como armas ideológicas da morte, como bem o diz, no título de um de seus principais livros, Franz Hinkelammert (1983). Porém, quando em sua autenticidade a fé cristã assume como ponto de partida a perspectiva de Jesus de Nazaré que grita na boca dos empobrecidos, marginalizados, imigrantes, das mulheres e juventudes que sofrem toda sorte de violência, então, pode-se falar de perspectivas cristãs que se contrapõem ao capitalismo hoje em voga.

Isso porque estamos diante de uma lógica econômica que, em nome do lucro – um fetiche, uma idolatria –, exige sacrifício do humano e também da natureza. O mercado se torna como que uma religião, diante da qual a crítica ou a proposição de justiça social, direitos humanos e mais democracia se tornam, para essa visão de mundo, nocivas para a economia que, no caso, torna-se sinônimo de livre mercado.

IHU On-Line – Hinkelammert, um dos autores trabalhados pelo senhor, justifica a crítica à economia política neoliberal na tese de que a racionalização obtida por meio da competitividade que gera eficiência-rentabilidade é, na verdade, irracional, pois seria incoerente reduzir o conceito de eficiência ao de rentabilidade. O senhor se associa a essa perspectiva? Por quê?

Luís Carlos Dalla Rosa – Sim, concordo com a posição defendida por Hinkelammert. Aliás, um economista e teólogo alemão, mas radicado na América Latina, que é caro tanto à teologia como à filosofia da libertação e que merece ser mais estudado. Ora, isso porque a eficiência entendida como rentabilidade (lucro) que se origina da competitividade significa o sacrifício do próprio humano, sobretudo dos mais pobres, e da natureza. É o que Hinkelammert chama de “ideologia do heroísmo coletivo”, uma razão utópica que não se reconhece como tal e se apresenta como única alternativa e, mediante a promessa do progresso técnico-científico, pretende realizar o paraíso na terra, mas que acaba produzindo o inferno.

Assim é que, por exemplo, em novembro de 2015, atônitos, acompanhamos o rompimento das barragens de contenção de rejeitos e produtos químicos da mineradora Samarco, na região de Mariana, Minas Gerais, causando mortes, destruição, devastação, contaminação. Tudo isso em nome do quê? Para os defensores do livre mercado, esse evento de Mariana é apenas um sacrifício colateral, porque suas vítimas estavam no lugar errado. Daí o sentido da irracionalidade implicada por Hinkelammert em sua crítica à economia de livre mercado.

IHU On-Line – Quais os limites de programas governamentais de distribuição de renda? Em que medida se associam e se dissociam das perspectivas de economia solidária?

Luís Carlos Dalla Rosa – Se os programas governamentais de distribuição de renda não implicarem ou não estiverem associados a políticas de diminuição de desigualdades sociais, de promoção da cidadania e do protagonismo dos sujeitos, podem ser questionados até que ponto conseguem dar conta das condições que geram realidades de pobreza, de injustiça. Tal como se percebe nas políticas que foram adotadas pelos governos Lula e Dilma, a distribuição de renda significou mais um acesso aos bens de consumo, que em um primeiro momento é justo e necessário, do que propriamente uma perspectiva que pudesse desencadear processos emancipatórios e de empoderamento. Nessa direção, é importante destacar as ações ou políticas afirmativas que criam oportunidades sociais e podem contribuir para a expansão das capacidades humanas e da qualidade de vida, no sentido defendido por Amartya Sen, em sua obra Desenvolvimento como liberdade (1999).

De modo que são estas as perspectivas que mais se associam à economia solidária, quando justamente se pensa sobre a possibilidade de gerar oportunidades reais e condições sociais intervenientes na realidade das pessoas, para que possam ser capazes de decidir e agir sobre seus rumos, como sujeitos de sua história. Tudo isso não exclui a importância e a necessidade da implementação de programas de renda mínima, os quais devem ser reconhecidos pela sua condição ética, ante a realidade de miserabilidade de muitas famílias. De nada adianta falar de cidadania, emancipação, democracia, quando as necessidades básicas não são atendidas. A democracia começa com o pão partilhado.

IHU On-Line – Como trabalhar as futuras gerações para que desenvolvam a perspectiva de economia para a vida, e não centrada nas lógicas de consumo e acumulação?

Luís Carlos Dalla Rosa – Não apenas com as futuras, mas também com atuais gerações, creio que o papel da educação, a qual não se resume à escolar ou universitária, é ainda imprescindível. Mas é preciso pensar também sobre os modelos de educação, pois nem todos comungam com a perspectiva de uma economia para a vida. Com efeito, quando se fala em inovação e mudança no campo da educação, muitas vezes, implicam-se apenas na troca de roupagens, para continuar no mesmo. Ora, precisamos de ações educativas que primem pela promoção da competência e sensibilidade solidária, no sentido defendido por Hugo Assmann e Jung Mo Sung (2000), em que educar não significa apenas tocar a dimensão do intelecto, mas também do existencial, da sensibilidade. E isso implica promover vivências e ações pedagógicas que toquem o desejo das pessoas, na linha da solidariedade, do encontro, do reconhecimento do outro que inclui o cuidar do meio ambiente, da natureza que nos cerca.

A promoção de relações democráticas e da cidadania deve ser uma prática de toda relação educativa. Nesse sentido, podemos reconhecer as iniciativas de economia solidária como uma experiência pedagógica que pode fomentar uma outra forma de conceber a vida, que inclui a dimensão econômica, mas que implica pensar também o contexto cultural, artístico, ecológico... A participação da juventude nas diferentes iniciativas da economia solidária ou experiência de voluntariado solidário expressam alternativas de formação, inclusão social e geração de trabalho e renda que têm como ponto de partida o protagonismo dos próprios jovens, e isso é decisivo para a formação das novas gerações.

Enfim, a economia solidária tem o potencial de integrar diferentes dimensões da vida, além da questão da economia propriamente dita, possibilitando inclusive numa forma de promoção de política pública de resgate e promoção de jovens em situação de vulnerabilidade social e de violência. Tendo em conta o atual contexto, imerso na lógica da cultura de consumo, o desafio é suscitar experiências de uma outra cultura possível. E, nesse sentido, a economia solidária pode ser um bom ponto de partida.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Luís Carlos Dalla Rosa – Importante salientar que a crise atual não pode ser vista como uma situação momentânea ou que diz respeito apenas ao campo econômico. Trata-se, com efeito, de uma crise civilizacional, que diz respeito a um paradigma de mundo que se origina a partir do próprio pensamento moderno e suas crenças como a ideia do progresso infinito da ciência e da técnica. Essa razão utópica que pesa sobre a vida real, como denuncia Hinkelammert, impõe-se sobre o ser humano e a natureza. Daí o desafio que toca também a nós, a partir das palavras do Papa Francisco: “pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, coloquem-se decididamente a serviço da vida, e especialmente da vida humana” (PAPA FRANCISCO. Laudato si’. São Paulo: Paulus, 2015, p. 111).

João Vitor Santos

Instituto Humanitas Unisinos