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Pílulas Espirituais, Paixão de Cristo 2018

Publicado em 24/3/2018 por: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.

Mt 21, 1-11: Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos dizendo-lhes: “Ide até o povoado [...] e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim. Se alguém vos disser alguma coisa, direis: ‘O Senhor precisa deles, logo os devolverá’”. Isto aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “[...] Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento [...]”. Então os discípulos foram e fizeram como Jesus havia mandado [...] e Jesus montou. A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. As multidões que iam na frente de Jesus, [...] clamavam: “Hosana ao filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira se agitou, e diziam: “Quem é este homem?” E as multidões respondiam: “Este é o profeta Jesus de Nazaré na Galileia”.

Estamos aqui diante de um mistério tremendo; todos os grandes santos meditaram com frequência a Paixão do Senhor. E alguns escreveram também, e de modo magnífico. A narrativa da paixão nos faz muito bem espiritualmente, se a lermos e/ou meditarmos devagar. Aliás, pelo Brasil afora, os “sermões das sete palavras” ainda são bastante populares. Cada um dos pregadores, sempre leigos, frequentemente pessoas de destaque na sociedade civil, passa usualmente cerca de três horas comentando cada “palavra”, isto é, uma das frases de Cristo na cruz.

A paixão de Cristo é um fato tão profundo e tão dramático, que nos deixa “sem palavras”: qualquer comentário parece antes uma profanação. Jesus, que “passou fazendo o bem”, termina sua vida terrena desta maneira tão absurda e revoltante. Observe-se que, para nos salvar, bastaria um ato da Misericórdia de Deus, que é infinita. Sobre isso, assim se expressa São Tomás de Aquino: “Se Deus quisesse libertar o homem do pecado sem qualquer reparação [satisfação sacrifical], não procederia contra a justiça [...]. Deus não tem qualquer superior acima dele e Ele próprio é o Sumo Bem de todo o universo. E portanto, se perdoa pecados feitos contra ele, não faz injúria e ninguém, assim como um homem que perdoa ofensa a si por outro, sem uma satisfação [pena]: ele neste caso procede de forma misericordiosa, não injusta”.