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Pílulas Espirituais, Vigília Pascal

Publicado em 1/4/2018 por: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.

A Páscoa é a festa maior do calendário litúrgico, a maior das festas de todo o ano. Esta festa é dita a “Solenidade das solenidades”. Com efeito, este mistério pascal inclui os grandes mistérios de Cristo que lhe são anteriores, pois não tem sentido falar em Ressurreição e Morte de Cristo sem pensar no seu Nascimento, e não tem sentido falar deste sem pensar na sua Encarnação.

A liturgia desta Vigília Pascal é de uma beleza inexcedível. Simplicidade, por um lado e Majestade por outro. Bom gosto em tudo! A leitura destes textos, muito mais que os comentários que se seguem aqui, podem ajudar na preparação de uma homilia ou na leitura espiritual.

A liturgia é tão bonita que torna difícil escolher o que comentar, tantas são as belas palavras e ideias sobre as quais podemos meditar: a Bênção do Fogo Novo, a Proclamação da Páscoa – o chamado Precônio Pascal – , as Leituras, todas elas belos e importantes trechos das Escrituras, as Orações, o Prefácio, tudo tão lindo, cheio de ensinamentos para nossa vida cristã, compondo uma unidade harmônica para celebrar este evento magno da história da humanidade. Evento magno da história da humanidade, mas não da “grande história”, a história dos vencedores, porque a história dos primórdios do cristianismo é a história dos vencidos, história dos “humilhados e ofendidos” (Dostoiewski), pois afinal, esta história teria terminado com a morte ignominiosa de Cristo na cruz. A história do cristianismo só se torna dos vencedores no século IV, quando o Império Romano se torna cristão.

Logo quase ao início, imediatamente depois da bênção do fogo novo, as palavras da oração: “Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna”. Desejo do céu: tem tudo a ver com esta Solenidade. Desejo do céu, que frequentemente as pessoas têm pouco.

Logo depois, as palavras que dão partida à procissão com o círio pascal: “A luz do Cristo que ressuscita resplandecente dissipe as trevas de nossos corações e de nossas mentes”. São Tomás de Aquino compôs uma oração para iniciar os estudos de cada dia, que faz eco a isto: “Desfazei com vossa luz a dupla obscuridade em que eu nasci, o pecado e a ignorância”. de Cristo, aquelas que são mais fundamentais: Cristo é o Alfa e o Ômega, isto é o Principio e o Fim, a Finalidade de nossas existências.