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Quanto custa (para você e para o planeta) manter nosso ritmo de consumo?

Publicado em 27/7/2018 por: Leonardo Borges

A quantidade de matérias-primas (combustíveis fósseis, minerais, metais e biomassa) extraídas da Terra passou de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010, segundo relatório apoiado pela ONU Meio Ambiente.

Só para se ter ideia, estamos consumindo a natureza (através das matérias-primas) 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras.

E você sabe qual é o principal responsável por esse esgotamento do nosso orçamento natural? Acertou quem disse que é o consumo desenfreado global. O aumento do consumo, impulsionado por mudanças no padrão de consumo, triplicou a quantidade de matérias-primas extraídas da Terra nas últimas quatro décadas, segundo um novo relatório do Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês), apoiado pelo ONU Meio Ambiente.

Em termos de consumo por países, os mais ricos consomem em média dez vezes mais recursos que os mais pobres e duas vezes mais que a média mundial. Se essa tendência se mantiver, em 2050 o planeta precisará de 140 bilhões de toneladas de matérias-primas anualmente.

No entanto, o aumento do consumo global resulta, sobretudo, em severo impacto ao meio ambiente, da poluição à extinção de recursos.

"A taxa alarmante na qual os materiais estão sendo extraídos atualmente já está tendo um importante impacto na saúde humana e na qualidade de vida das pessoas, disse Alicia Bárcena, co-presidente do Painel Internacional de Recursos".

Os custos deste drástico aumento na excessiva extração de combustíveis fósseis, metais e outros materiais, estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo e aprofundará ainda mais as mudanças climáticas. Manifestando-se em secas, escassez de recursos naturais, degradação do solo, perda de biodiversidade, poluição hídrica e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

Os dados e os cenários pessimistas mostram que estamos longe do caminho ideal. O fundamental seria repensar o sistema produtivo, através da redução de materiais por produto, da expressiva ampliação da reciclagem e reuso, migrando para um modelo de economia circular. Tal modelo possui como premissa dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos e eliminar resíduos do sistema, o que implicaria em novos tipos de design, onde os produtos seriam elaborados pelo conceito de ecodesing (clique aqui para ler).

Inspirando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo contínuo de reabsorção e reciclagem, a Economia Circular promove um modelo econômico reorganizado. Este modelo funcionaria através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados, o que permitiria a eliminação quase nula de resíduos que tanto impactam o meio ambiente.

Essa pode ser, de fato, uma saída!

Com informações: ONU Brasil, ONU Brasil, ONU Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente e ONU Meio Ambiente

Leonardo Borges