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Pílulas Espirituais - 01/agosto

Publicado em 1/8/2018 por: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.

340.“[...] a contemplação mística no sentido estrito é uma experiência de Deus que é alcançada diretamente sob a inspiração da Graça, sem o meio de qualquer coisa vista, ouvida ou entendida. [...]. Donde se segue que todas as visões e locuções são, num certo sentido opostos à verdadeira contemplacão, pelo menos na medida em que diminui sua pureza e perfeição. [...] se voce tem uma visão em que voce pensa que viu Deus claramente, voce não viu Deus. São João da Cruz devota uma longa parte do seu Subida do Monte Carmelo para provar a tese que visões, locuções e outras experiências que pretendem nos dar um conhecimento sobrenatural preciso da divindade nunca devem ser procurados e nem aceitos, visto que nenhuma coisa criada ou visível, nenhum ideia clara podem nos levar à realidade de Deus tal como Ele é.” (Thomas Merton, The Ascent to Truth. Hartcourt, Brace and Company: New York, 1951, p. 68)

341.“Nenhum [bom] teólogo afirmaria que todas as visões são ilusórias. São João da Cruz certamente não diz isso. Ele próprio teve visões e outras experiências e dirigiu espiritualmente pessoas que as tinham e era consciente de que tais experiências frequetemente vinham de Deus. Entretanto [...] ele sabia muito bem quão difícil é distinguir entre as visões [e outras experiências] que veem de Deus daquelas que veem do Demônio”. (Idem, p. 69)

342.“[...] como Santa Teresa de Ávila diz, qualquer pessoa que tenha experimentado a verdadeira união mística, sabe a distância infinita que existe entre ela e a “moeda falsa” produzia pelo Demônio ou pela nossa imaginação. Mas não existe divisão tão clara entre verdade e falsidade no caso de visões, locuções e outras experiências do sobrenatural. Eis porque São João da Cruz adverte os contemplativos a permanecerem negativos com relação a todas elas, sem perder tempo em saber se elas veem de Deus ou do Demônio. Todas devem ser rejeitadas”. (Idem, p. 60)

343.“[…] qual o sentido que São João da Cruz dá a respeito da importância do “não-conhecimento”? É o seguinte: o conhecimento e habilidade do homem, a saber, aprendizado teológico ou visão [sobrenatural] adquirida, não pode servir de “ponte” para cobrir a distância que existe entre o estado de principiante e o da união divina. [...]. Nenhum sistema de meditação, disciplina interior, auto-esvaziamento, recolhimento, [...] pode levar o homem à união com Deus se não houver um dom livre da parte do próprio Deus”. (Idem, p. 76)

344.“[...] a vida ascética e mística é uma reprodução da vida de Cristo na terra, porque ela esvazia completamente e “aniquila” a alma a fim de uní-la a Deus. Para São João da Cruz sigifica uma única coisa: absoluta auto-renúncia. A única maneira de fazer progresso nos caminhos do espírito é avançar nesta imitação de Cristo”. (Idem, pp. 76s)

Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.