Índios, Negros e Pobres

Publicado em 7/3/2019 por: Luiz Eduardo Soares

Nunca vi, nos desfiles das escolas, nada comparável ao que a Mangueira fez. Vai ficar na história.

Eu me senti com a alma lavada, nesse país governado por energúmenos, que chegaram ao poder justamente porque parte do povo acreditou na história contada pelos colonizadores brancos racistas, escravistas, campeões da exploração do trabalho, do extermínio das sociedades originárias e do patriarcalismo machista.

A Mangueira teve uma coragem que eu nunca tinha visto de dar nomes aos assassinos, ladrões e genocidas, cultuados como heróis da nacionalidade. As homenagens a quilombolas, às mulheres negras, aos indígenas escaparam do folclore e foram ao coração da trama histórica. O samba enredo nunca será esquecido, nem a audácia dessa Escola que nos mostrou como lidar com as ameaças do poder obscurantista: com mais ousadia, mais coragem, mais liberdade, mais clareza, mais lucidez, mais criatividade e com paixão pela verdade.

Viva a estação primeira. Viva Mangueira! Esta a nação de que me orgulho. Marielle, presente!

Luiz Eduardo Soares