Melhoradinha

Publicado em 23/5/2011 por: André Urani Não dá ainda pra estufar o peito e chamar de "Tom Jobim", mas não há como negar que algumas coisas andam melhorando em nosso aeroporto internacional.

Quis a vida que, seja por razões de família ou de trabalho, eu viajasse sempre muito para o exterior; quis a vida também que, por razões de saúde, eu ficasse quase um ano e meio sem ir pra fora. E, portanto, sem freqüentar o Galeão.

Quebrei o gelo no sábado, viajando pra Torino (minha cidade natal), na Itália, via Paris, pela Air France - que opera no terminal 1. Terminal 1 do qual eu mantinha uma lembrança irritante, com seus elevadores fantasmagóricos, escadas rolantes e esteiras permanentemente quebradas - e tendo que aturar, durante anos, a Infrazero tirando sarro da nossa cara, fazendo propaganda com dinheiro público, dizendo que estava trabalhando sem parar para transformar nosso aeroporto num dos melhores do mundo.

Pois tenho que reconhecer que fiquei surpreso de perceber que houve uma melhora inequívoca, em vários aspectos:
Cheguei ao aeroporto com 2 horas de antecedência, como manda a regra, e não peguei fila nenhuma para o check-in;
O velho Jumbo foi substituído pelo moderno Boeing 777;
O avião estava lotado, mas não houve overbooking;
Passei pelo raio X e pela Polícia Federal rapidamente;
Elevadores e escadas rolantes funcionavam normalmente;
Os banheiros estavam reformados e limpos;
O vôo saiu pontualmente.

Maravilha! Mas precisamos de muito mais do que isto. Por exemplo:

Aumentar ainda mais o tráfego aéreo, não só pra recebermos mais turistas, mas pra voltarmos a ser o portão de entrada do Brasil e do Cone Sul para quem vem de outros continentes;
Integrar a gestão dos diferentes aeroportos da cidade, para melhorar a eficiência da administração do tráfego aéreo, a exemplo do que acontece em Paris;
Articular os modais aeroportuários com outros modais (portuário, ferroviário, metroviário etc.), como ocorre em Barcelona.

Coisas que só serão viáveis com novas instituições, capazes de mesclar, no longo prazo, o interesse público com a capacidade de investir do setor privado. É por isto, e não por razões ideológicas, que sou um dos tantos que defendem a privatização de nossos aeroportos.