Esquisitices do mercado de trabalho carioca

Publicado em 13/6/2011 por: André Urani

O mercado de trabalho carioca está bombando. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, mais de 130.000 empregos com carteira assinada foram criados em nossa Região Metropolitana entre abril de 2010 e abril deste ano. O desemprego e a informalidade caíram e o rendimento real médio do trabalho aumentou. Este dinamismo tem atraído pra cá chineses, noruegueses, paulistanos e cariocas expatriados.
Está tudo muito bem, está tudo muito bom, mas alguns problemas estruturais de nosso mercado de trabalho persistem, quando não têm se acirrado. Vou citar alguns:
Apesar dos esforços que têm sido realizados para melhorar o ambiente de negócios, a proporção de empregadores na ocupação total, que sempre foi relativamente baixa para os padrões nacionais, vem diminuindo.
Os rendimentos médios no setor público são mais do que o dobro daqueles no setor privado. E o diferencial tem aumentado. Em São Paulo, os servidores públicos ganham bem menos que aqui, e os empregados no setor privado mais. E o diferencial tem caído. Não é por nada que aqui tem tanta gente boa preferindo fazer concurso público que tentar uma carreira no setor privado.
A taxa de participação, dada pela proporção de pessoas em idade de trabalhar que trabalham ou procuram trabalho, é a mais baixa das regiões metropolitanas brasileiras. Por um lado, porque temos muita gente que se aposentou precocemente; por outro, porque muitos jovens estão à toa: fora do mercado de trabalho e, o que é pior, fora do ensino médio. A taxa líquida de matrícula (ou seja, a proporção de adolescentes de 15 a 17 anos inscritos no ensino médio) não passa de 50,7% - contra 68,5% em São Paulo. Muitos de nossos jovens, sobretudo nas comunidades pobres, continuam desalentados; não acreditam que a escola possa ser um instrumento para lhes viabilizar um trabalho condizente com suas expectativas.
São fatores que hipotecam o nosso futuro e que, portanto, merecem ser enfrentados através de políticas públicas de longo prazo, voltadas à superação dos preconceitos que ainda temos em relação ao setor privado e a oferecer pra nossa garotada o direito de sonhar com uma vida melhor que as de seus pais.