André Urani: Instituições de novo tipo

Publicado em 1/8/2011 por: André Urani

Tenho reiterado, em minhas últimas colunas, que o principal desafio que temos hoje é o de aproveitar o momento positivo que atravessamos para engatarmos num processo mais profundo de transformação, que nos leve a gozar de forma mais plena o privilégio de vivermos num lugar como este. Venho insistindo na tecla de que, para tanto, precisamos nos mobilizar, exigir maior transparência e investir na construção de instituições de novo tipo. Vários leitores me escreveram pedindo para ir mais fundo, para que ficasse mais claro o que eu pretendia dizer com isto.

Começo aqui pelas tais das instituições de novo tipo.

Elas são necessárias porque as que temos hoje não são capazes de lidar de maneira eficaz com os nossos principais problemas e com as nossas potencialidades mais importantes.

Por um lado, por melhor que seja, um governo não tem condições de dar um jeito no nosso imenso subúrbio desindustrializado, de integrar urbanística, econômica e socialmente todas as nossas favelas à cidade formal ou de elevar a escolaridade de nossos trabalhadores a um patamar compatível com a nossa inserção competitiva no mundo globalizado que temos pela frente. Mesmo que seja reeleito, que tenha suas finanças bem administradas e vontade política para tanto. Analogamente, não vai ser capaz de alavancar setores como a substituição energética, a sustentabilidade, a logística ou a economia criativa.

Por outro, as empresas privadas não têm a vocação de liderar processos deste tipo. Muito menos as organizações da sociedade civil.

Nossos problemas e nossas oportunidades têm em comum o fato de serem enfrentáveis apenas através de estratégias de interesse público que só podem vingar em prazos mais longos que os mandatos governamentais. Precisamos de instituições democráticas que tenham a capacidade de trabalhar nestes prazos.

Muitas metrópoles ocidentais que tiveram que se reinventar nas últimas décadas trilharam este caminho. A experiência internacional mostra que, se não há uma fórmula mágica a ser seguida, existem ingredientes incontornáveis para que estas instituições possam dar certo, sobre os quais escreverei na semana que vem.

Quem quiser se aprofundar a respeito deste tema pode ler o meu livro, "Trilhas para o Rio", publicado em 2008 pela Campus-Elsevier.