O Rio se internacionaliza

Publicado em 5/9/2011 por: André Urani Sou nascido na Itália e criado em São Paulo. Só vim parar aqui no Rio no final dos anos 70, aos dezoito anos, porque meu pai trabalhava para uma grande empresa multinacional.

Estórias como a minha foram escasseando de lá pra cá. Enquanto os olhos do mundo e da maioria das multi se voltaram para o Oriente, o Brasil passou uma geração inteira arrumando a casa (estabelecendo regras de convívio democrático, acertando as contas públicas, estabilizando e abrindo a economia, aprimorando a qualidade de suas políticas sociais etc.). Hoje, por termos feito boa parte dos deveres de casa que tínhamos que fazer, bem ou mal voltamos a ter uma economia dinâmica, que chama a atenção da opinião pública mundial e, sobretudo, dos investidores internacionais.

A revista Economist desta semana destaca que, pela primeira vez em décadas, a nossa cidade está se tornando atrativa para os negócios. Mais até do que São Paulo, onde o ambiente sempre foi mais propício deste ponto de vista - e destaca que, dentre nossos principais atrativos (tantas vezes, no passado, retratado como obstáculo...) está o nosso chamado "estilo de vida".

Os dados impressionam: estatísticas oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, do início de 2008 a meados deste ano, quase 80.000 trabalhadores estrangeiros fixaram residência em nosso Estado. São cerca de 2.000 trabalhadores por mês, aos quais devemos somar, em muitos casos, suas famílias. A estrondosa maioria super-qualificados, com pelo menos o ensino superior completo.

Isto não deve ser confundido com "apagão de mão-de-obra": é uma mistura de empresa estrangeira chegando, trazendo seus quadros, e de gente fugindo da crise no hemisfério norte pra tentar suas vidas por aqui.
O fato é que estamos diante de um fenômeno importante, que não pode ser desconsiderado pelas políticas públicas. A Agência Rio Negócios, da Prefeitura, tem procurado desenvolver uma estratégia para esta área.
O maior desafio é o de conseguirmos atrair os tais dos criativos: nas cadeias globalizadas de agregação de valor, são eles os que mais agregam, com benefícios para o conjunto dos que vivem e circulam em volta. Não é por nada que Barcelona (sempre ela!) tem apostado muitas de suas fichas nisto nos últimos anos.

Temos todas as condições de competir com eles nesta frente; vamos à luta!