A Iniciação Cristã e a Vida Comunitária

Continuando as reflexões sobre a Iniciação Cristã e a nossa renovação das promessas batismais como consequência de uma Quaresma bem vivida, cremos que um dos passos a ser aprofundado é a nossa pertença a uma comunidade.

A evangelização nos dá a alegria do encontro com a Boa Nova da Ressurreição de Cristo. A maioria das pessoas procura angustiada a razão de sua vida e se coloca diante do Senhor com suas feridas e dificuldades.

Com o passar do tempo sente a necessidade de aprofundar a fé e participar concretamente de uma comunidade.

Por isso, dentro das catequeses quaresmais, queremos refletir sobre esse passo de maturidade na fé e de esperança neste tempo favorável de penitência, oração, jejum, caridade e conversão. À luz do convite do Papa Bento XVI, iremos renovar a nossa adesão a Cristo pelo Batismo na Vigília Pascal, e hoje nos preparamos refletindo acerca da Iniciação Cristã como pertença plena à vida eclesial da Igreja.

A dinâmica do processo evangelizador começa com o despertar e suscitar da conversão, bem como a adesão na fé a Cristo, isto é, continua com o momento de estruturação e fundamentação da conversão, conduzindo-a à inserção plena do evangelizado na comunidade de discípulos missionários. Por isso, é necessário levar em consideração que existem ações que precedem a Iniciação Cristã e ações que são consequências dela. A Iniciação Cristã é, dessa forma, o elo necessário entre essas ações. Não é possível entender a Iniciação Cristã sem uma comunidade missionária que a origine, a realize e a leve à plenitude.

A vida cristã do catequizando é um dom destinado a crescer. O momento pastoral comunitário de educação permanente na fé se orienta e alimenta de modo contínuo o dom da comunhão e da missão. É claro que, para sair dessa encruzilhada na qual a catequese se encontra em muitas realidades que ainda não acordaram para a iniciação cristã, a educação da fé precisa assumir a dinamicidade e circularidade do processo evangelizador como princípio de renovação e de mudança.

Se o ponto de partida é uma ação missionária prévia, esta por sua vez, vai produzir comunidades mais vivas e dinâmicas, mas, para isso, é necessário que as comunidades maduras se lancem à missão e realizem adequadamente a tarefa de iniciação. Uma comunidade que faz da iniciação uma opção prioritária precisará despertar seu caráter missionário e renovar sua vida comunitária.

É na comunidade que acontece o processo catequético de Iniciação Cristã de adultos, jovens, adolescentes e crianças em idade própria. Esta preparação tem como meta a incorporação dessas pessoas como membros ativos do Corpo de Cristo, que é a Igreja. A comunidade cristã é o espaço para integrar a fé e a vida, mas é também lugar onde procuramos vivenciar e aprofundar a Palavra de Deus, a celebração eucarística e a prática da solidariedade do amor oblativo. Por fim, a catequese é um processo onde uma comunidade ajuda as pessoas a lerem sua própria vida e a discernirem sua vocação e o caminho que o Espírito Santo lhes indica.

Ao darmos esses passos que nos renovam em nossa vida cristã, trabalhemos para que a atividade evangelizadora e pastoral de nossas paróquias seja sempre mais aprofundada, e, com um bom trabalho pedagógico e uma vida de verdadeira conversão, encontremos os caminhos do seguimento radical de Cristo e o do anúncio alegre e feliz da Salvação a todas as pessoas.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ