Para a Missa do dia 13/05/2018 (Solenidade da Ascensão)

Publicado em 13/5/2018 por: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.

Solenidade da Ascensão do Senhor, hoje é um dia em que somos convidados a dizer, exultando, “corações ao alto!” Elevemos nossos corações a Deus, ao céu, onde Cristo está. Esta festa nos relembra o mais importante da nossa vocação: fomos criados para a contemplação de Deus, na eternidade. A Ascensão de Cristo ocorreu 40 dias (ou 39 dias, na nossa maneira de contar) depois da sua ressurreição. Toda a liturgia de hoje convida a nos “elevarmos” com Cristo à pátria celeste, como diz a 2ª. oração da Missa, aquela depois das ofertas. O belo Prefácio I nos diz: “Ele subiu aos céus para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória”. Na 3ª. oração, também: “fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de Vós a nossa humanidade”. A vida da graça, já aqui na terra, é uma antecipação do céu. São Paulo diz que já ressuscitamos, quando passamos a viver esta vida da graça. Um grande número de católicos e cristãos acreditam na vida eterna, mas ... não querem ir para lá. Este é um fato já atestado por Santo Agostiho:“Não há ponto em que a fé cristã encontre mais contradição do que o da ressurreição da carne”. Isto é bastante absurdo, como já notado no século III pelo grande escritor cristão, Bispo de Cartago e mártir da fé, São Cipriano: “Que coisa mais fora de propósito, mais absurda: pedirmos que a vontade de Deus seja feita [na oraçao “Pai nosso”], e quando Ele nos chama e nos convida a deixar este mundo, não obedecemos logo à sua ordem! Resistimos, relutamos e, quais escravos rebeldes, somos levados cheios de tristeza à presença de Deus, saindo daqui constrangidos pela necessidade, não por vontade dócil. Por que então pedimos e oramos que venha o reino dos céus, se o cativeiro terreno nos encanta? [...]. Repelido o pavor da morte, pensemos na eternidade que se lhe seguirá [...] vivemos aqui provisoriamente, como peregrinos e hóspedes. Abracemos o dia que designará a cada um sua morada [...] uma vez arrebatados daqui e quebrados os laços terrenos. Qual o peregrino que não se apressa a voltar à pátria? Nossa pátria é o paraíso. [...]. Para lá, irmãos caríssimos, corramos com ávida sofreguidão”. Santa Teresa de Ávila: “Yo quiero ver a Dios, y para verlo es necesario murir”[4]. A respeito deste paraíso, que é nossa herança, São Tomás de Aquino ensina que “o deleite espiritual é incomparavelmente maior que o material”. Santo Agostinho de novo: “A Igreja conhece duas vidas que lhe foram anunciadas por Deus: uma é vivida na fé, a outra na visão. Uma no tempo da caminhada, a outra na mansão eterna. Uma no trabalho, a outra no descanso. Uma no exílio, a outra na pátria. Uma no esforço da atividade, a outra no prêmio da contemplação”[6].

Na 1ª. Oração, iluminando de modo mais profundo esta realidade tão bela: “Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão de Vosso Filho já é nossa vitoria. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”.

Uma compreensão primitiva da Ascensão seria pensar que o céu para onde foi Jesus – e para onde iremos, com a graça de Deus – possa ser indicado como estando “acima” ou em qualquer outra direção. Efetivamente, está em um outro espaço-tempo, fora do nosso Universo, na medida em que neste Universo a matéria tem, quanto sabemos, propriedades limitadoras às quais não estarão submetidos os corpos ressuscitados.

Causa-nos espanto a pergunta que os apóstolos fizeram a Jesus imediatamente antes da Ascensão, como consta da 1ª. leitura de hoje: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” Ou seja, apesar da morte e ressurreição do Senhor, eles, ou pelo menos alguns, ainda não tinham entendido nada, ainda estavam com a ideia corrente entre os judeus a respeito do Messias. Entenderiam a partir de Pentecostes, que celebraremos no próximo domingo.

Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.