Pílulas Espirituais - 10/julho

Publicado em 11/7/2019 por: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira S.J.

121.“A caridade e a devoção são como a chama e o fogo, pois a caridade é um fogo espritual e quando ela é fortemente inflamada ela se chama devoção; assim, a devoção não acrescenta nada ao fogo da caridade, senão que ela a torna pronta, ativa e diligente, não somente com relação aos preceitos de Deus, mas também com relação aos conselhos e inspirações celetes.” (Idem)

122.“A devoção não consiste em doçuras, suavidades, consolações e ternura sensível do coração, que nos levam a lágrimas e nos dão uma satisfação agradável e saborosa em alguns exercícios espirtuais […] há muitos que têm consolações e que, não obstante, têm muitos vícios e que consequentemente não tem verdadeiro amor a Deus, e, menos ainda, uma verdadeira devoção”. (S. Francisco de Sales, o.c., 4a. parte, cap. XIII).

123.« As ternuras e doçuras da vida espiritual são muito úteis, porque excitam o apetite da alma, confortam o espírito e acrescentam à prontidão da devoção uma santa alegria que torna nossas ações agradáveis, mesmo exteriormente. É este gosto que temos das coisas divinas que fez David exclamar : ‘Ó Senhor, vossas palavras são doces, mais doces que o mel’. Certamente a menor consolação da devoção que recebamos vale mais que todos os prazeres do mundo [...] são pequenas antecipações de suavidades imortais [...] são pequenos grãos de açucar que Deus dá às crianças [que somos nós] ». (Idem).

124.«Posto que há consolações sensíveis que são boas e vêem de Deus e que as há também inúteis, perigosas, perniciosas, que procedem seja da natureza homana, seja do demônio, como poderei discernir umas das outras? Doutrina geral a respeito é que nós as distinguimos pelos seus frutos. Nossos corações são as árvores, as afeições e paixões são os ramos e as obras que fazemos são os frutos. [...] Se as consolaõoes nos tornam mais humildes, pacientes, tratáveis, caridosos e compassivos com relação ao próximo, mais fervorosos para mortificarmos nossa conscência e más inclinações, mais constantes nos nossos exercícios espirituais, mais maleáveis com relação ao que devemos obedecer, mais simples em nossa vida, então sem dúvida estas consolações veem de Deus ; mas se essa doçuras não são senão para nós e nos tornam curiosos, amargos, discutidores, impacientes, orgulhosos, presunçosos, duros com os outros e que, pensando que já somos pequenos santos, não queremos mais estar sujeitos a correções, sem dúvida alguma, trata-se então de falsas e perniciosas consolações. ‘Uma boa árvores produz bons frutos’ ». (Idem)

125.« Deus está no meio de nós, ou antes, nós estamos nele [...]. Nós não pensamos nisto ; se o fizéssemos, com que fervor e devoção deveríamos viver [...] Mantenha-se, tanto quanto possível na presença de Deus, saboreando humildemente a doçura que encontrará. » (Erasmus de Roterdão, o.c., p. 182).

Pe. Pedro M. Guimarães Ferreira S.J.